Manaus vai usar drones com sensores térmicos para monitorar queimadas em tempo real
A iniciativa marca o início da Campanha de Prevenção às Queimadas 2024.
- Foto: Divulgação
Com a chegada do verão amazônico, quando os riscos de queimadas e impactos da fumaça aumentam significativamente, foi lançada nesta terça-feira (8/7), no Parque Municipal do Mindu, uma nova força-tarefa para prevenção de incêndios ambientais em Manaus. A iniciativa marca o início da Campanha de Prevenção às Queimadas 2024, articulando esforços de dez secretarias municipais e utilizando recursos tecnológicos inéditos no país.
A campanha está baseada em três pilares: prevenção, educação e monitoramento. A estratégia visa não apenas reduzir os focos de calor em áreas urbanas e rurais da capital, mas também mitigar os efeitos da fumaça sobre a saúde da população, que sofre anualmente com a má qualidade do ar nos meses mais secos.
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Tecnologia inédita no combate ao fogo
Um dos destaques da campanha é o uso de drones de última geração — os modelos DJI Matrice 4T e Matrice 30T — equipados com câmeras de zoom de até 112 vezes, sensores térmicos, infravermelho e laser de medição. Os equipamentos permitem o mapeamento de áreas de risco com precisão georreferenciada e monitoramento em tempo real de focos de calor.
Essa é a primeira vez que uma instituição pública brasileira utiliza esse tipo de tecnologia especificamente em ações ambientais. Com essa inovação, equipes de fiscalização conseguem agir de forma mais rápida e eficiente, identificando áreas de risco antes que incêndios se alastrem.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente de Manaus, Fransuá Matos, o diferencial da campanha deste ano é a integração das secretarias com foco em resultado. “Mesmo com menos de 1% dos focos de queimadas registrados no Amazonas, Manaus continua sendo afetada pela fumaça vinda de outros municípios. Nosso dever é antecipar e prevenir, utilizando inteligência, tecnologia e ação coordenada”, explicou.
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Educação ambiental como ferramenta de transformação
Além da tecnologia, a campanha aposta fortemente na educação ambiental como vetor de mudança. Mais de 250 mil alunos da rede municipal serão alcançados por projetos como Protetores do Amanhã e a Oca do Conhecimento, com foco na formação de uma geração mais consciente e engajada na defesa do meio ambiente.
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Segundo o subsecretário da Secretaria de Educação, Dalmir Salazar, a participação das escolas é estratégica. “Estamos formando multiplicadores da causa ambiental. Os estudantes levarão esse conhecimento para casa, impactando comunidades inteiras e criando um novo ciclo de cuidado com a floresta e com a vida”, afirmou.
Suporte ao pequeno produtor e ações preventivas
Nos últimos quatro anos, diversas ações vêm sendo implementadas para estimular práticas agrícolas sustentáveis e reduzir o uso do fogo em áreas rurais. Foram distribuídas mais de 280 mil mudas frutíferas, uma tonelada de sementes, além de calcário, adubo e composto orgânico. Também houve mecanização e limpeza de áreas agrícolas, beneficiando pequenos produtores com alternativas ao uso do fogo para manejo da terra.
Esse trabalho de base colaborou para a redução significativa dos focos de queimadas. Em 2023, Manaus representava 1,8% do total de incêndios no Amazonas. Em 2024, o número caiu para menos de 1%, resultado direto da atuação preventiva, segundo os coordenadores da campanha.
Mesmo com esse desempenho, os impactos da fumaça continuam sendo sentidos na capital, em razão das queimadas em outros municípios. Isso reforça o papel estratégico de Manaus como referência na luta ambiental e exemplo para o restante do estado.
Integração, inovação e compromisso
As ações da campanha envolvem desde blitze educativas em zonas de transição urbana-rural até a presença ativa da Guarda Ambiental, que atuará em campo na fiscalização. Com a combinação de inovação tecnológica, educação e ação direta, a expectativa é manter o índice de queimadas sob controle e proteger a população dos efeitos nocivos da fumaça.
A iniciativa representa uma nova abordagem no enfrentamento às queimadas, reconhecendo que o “novo normal” imposto pelas mudanças climáticas exige soluções rápidas, coordenadas e inovadoras. Manaus assume, assim, um papel de liderança regional na defesa do meio ambiente, com impacto direto na qualidade de vida dos seus habitantes e do Amazonas como um todo.
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