Garimpeiros ilegais na Amazônia vivem, em média, até os 55 anos, aponta estudo
Pesquisa revela impactos severos à saúde e condições precárias enfrentadas por trabalhadores.
- Expectativa de vida dos garimpeiros ilegais na Amazônia é de apenas 55 anos, 28% menor que a média nacional, devido a doenças, acidentes e condições insalubres.
- Principais causas de morte incluem gota, malária, tuberculose, bronquite, pneumonia, ISTs, além de acidentes como afogamentos, soterramentos, ataques de animais e intoxicação por mercúrio.
- O estudo aponta abandono estrutural e exclusão social desses trabalhadores, agravados pelo crescimento de 650% do garimpo ilegal entre 2016 e 2022 na região amazônica.
Este resumo foi gerado automaticamente por inteligência artificial.

(Foto: Ipen/Divulgação)
Notícias do Amazonas – A expectativa de vida de quem atua no garimpo ilegal na Amazônia é de apenas 55 anos — um número 28% menor do que a média nacional, atualmente estimada em 76,4 anos. Os dados são de um estudo inédito realizado pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam-Brasil) e pelo Instituto Conviva, que mapeou os impactos da mineração ilegal entre 2022 e 2024.
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O levantamento identificou que os garimpeiros, chamados de “proletários da lama”, enfrentam um cenário marcado por doenças, acidentes fatais, ausência de assistência médica e exposição constante a condições insalubres. Entre as principais causas de morte estão a gota (24%), malária (19%), tuberculose (14%), bronquite (13%) e pneumonia (11%), além de infecções sexualmente transmissíveis (9%).
A atividade garimpeira em si também representa alto risco físico. Casos de afogamento (20%), soterramentos (19%), ataques de animais (18%), picadas de cobra (18%) e ferroadas de insetos (13%) são comuns, assim como doenças crônicas associadas ao uso de mercúrio. Os pesquisadores classificam essas mortes como formas de violência institucional.
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“Morrer de fome, de acidente ou de doença sem nenhum tipo de assistência é reflexo de um abandono estrutural. O modo de vida nos garimpos não permite a ampliação da expectativa de vida”, afirmou Márcia Oliveira, doutora em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Ufam e uma das responsáveis pela pesquisa.
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A investigação contou com uma equipe de 389 profissionais — incluindo sociólogos, comunicadores e antropólogos — e entrevistou garimpeiros em Manaus (AM), Altamira (PA), Porto Velho (RO) e Boa Vista (RR), cidades onde muitos ex-garimpeiros passaram a viver de forma autônoma, apoiados por ações pastorais da Igreja Católica.
O estudo também revela que a maioria dos entrevistados sofre com múltiplas doenças, muitas vezes sem diagnóstico ou tratamento adequado. Embora as ISTs tenham aparecido com baixa taxa de autodeclaração, relatos indiretos sugerem alta incidência de infecções como o HIV. A precariedade, aliada ao abandono das políticas públicas, acentua a exclusão desses trabalhadores.
O garimpo ilegal cresceu 650% entre 2016 e 2022, de acordo com o estudo, e continua deixando rastros de degradação ambiental e humana na região amazônica.
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