Lula defende moeda alternativa ao dólar no Brics
Presidente reagiu à nova tarifa e anunciou que manterá aumento do IOF.

Foto: Reprodução/Canal Gov
Notícias de política – presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (10/7), que o Brics — bloco formado por países emergentes do Sul Global — continuará debatendo alternativas ao dólar nas transações comerciais. Em entrevistas concedidas à TV Globo e à Record TV, Lula também criticou a decisão do presidente norte-americano Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.
Segundo Lula, o fortalecimento de moedas nacionais ou até a criação de uma moeda própria do Brics faz parte do esforço para reduzir a dependência do dólar e ampliar a autonomia econômica dos países do bloco. “Nós cansamos de ser subordinados ao Norte.
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Queremos ter independência nas nossas poíticas”, disse o presidente ao Jornal Nacional. “Estamos discutindo, inclusive, a possibilidade de ter uma moeda própria ou usar as moedas de cada país para fazer comércio.”
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O presidente também reagiu à atitude unilateral de Trump, classificando a medida como desrespeitosa e contrária às boas práticas diplomáticas. “Se ele tivesse divergência, o correto seria discutir isso no G20. O que ele não pode é agir como se fosse dono dos outros”, afirmou ao Jornal da Record.
Para Lula, as ações de Trump refletem incômodo com o protagonismo crescente do Brics no cenário internacional. “Não sou obrigado a comprar dólar para negociar com Venezuela, Bolívia ou China. Os Estados Unidos têm a máquina de fazer dólar, nós não”, reforçou.
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IOF será mantido, diz Lula
Ainda na entrevista à Record TV, Lula confirmou que o governo vai insistir no aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mesmo após a reação do Congresso. Ele declarou que, se for necessário cortar R$ 10 bilhões do orçamento, as emendas parlamentares também serão atingidas.
“O deputado sabe que, se eu tiver que cortar R$ 10 bilhões, eu vou cortar das emendas dele também”, afirmou. “Posso antecipar: vou manter o IOF. Se tiver um item errado, a gente corrige, mas o imposto continua.”
A medida gerou embates com o Legislativo e chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Após recursos de ambas as partes, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu os decretos do governo e do Congresso e convocou uma audiência de conciliação entre os Poderes, marcada para 15 de julho.
Lula encerrou as entrevistas com tom de firmeza: “Fazer decreto é responsabilidade do presidente da República. Se houver erro constitucional, que provem”.
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