Argentina negocia isenção tarifária com os EUA enquanto governo Lula enfrenta taxa de 50%
Acordo impulsionado por Milei pode beneficiar exportações argentinas enquanto tarifa americana atinge siderurgia brasileira.

Foto: Joe Raedle/Getty Images/Reprodução
Notícias do Mundo – A Argentina está perto de concluir um acordo de livre comércio com os Estados Unidos que pode beneficiar até 80% das exportações do país vizinho. A iniciativa é liderada pelo presidente Javier Milei, que intensificou as tratativas com o governo americano desde abril, em busca de maior integração econômica. Entre os itens que podem ser contemplados estão produtos agrícolas como vinho, limão e algodão.
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Segundo o jornal Clarín, o governo dos EUA prorrogou até 1º de agosto a suspensão de tarifas que incidem sobre parte dos produtos argentinos. A medida amplia o prazo para as negociações, embora itens como aço e alumínio ainda sigam taxados. O acordo começou a ser desenhado ainda na gestão de Joe Biden, mas ganhou impulso com a aproximação entre Milei e o ex-presidente Donald Trump, atual ocupante da Casa Branca.
O ministro argentino Gerardo Werthein esteve reunido com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, para discutir os termos de um pacto mais amplo, que inclua a redução de barreiras para exportações americanas também. A Argentina exporta atualmente cerca de US$ 6,5 bilhões por ano para o mercado norte-americano, o equivalente a 10% de sua pauta total, com destaque para o setor agrícola, energético e químico.
Retaliação contra o Brasil
Em contraste com o avanço argentino, o Brasil foi alvo de um duro revés comercial. No último dia 9, os EUA anunciaram a imposição de uma tarifa de 50% sobre o aço brasileiro, medida que afeta diretamente a indústria nacional. O setor siderúrgico brasileiro, que destinou mais de um terço da sua produção ao mercado americano em 2024, pode ser duramente atingido.
A decisão foi justificada pelo presidente Trump como resposta a práticas comerciais consideradas “injustas” e a ações do Supremo Tribunal Federal que teriam afetado o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Casa Branca também apontou a ausência de uma relação estratégica com o atual governo brasileiro como um fator que pesou na decisão.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu afirmando que o Brasil não aceitará imposições e prometeu aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, que prevê taxação sobre produtos de países que impõem barreiras ao Brasil. A resposta, no entanto, foi vista por diplomatas como precipitada e arriscada. Para o ex-embaixador Rubens Barbosa, a falta de diálogo direto com Washington enfraqueceu a posição brasileira.
Caminhos opostos
Enquanto Milei investe na reaproximação com os Estados Unidos e tenta consolidar um discurso liberal voltado ao mercado, Lula reforça os laços com a China, maior parceira comercial do Brasil. A estratégia, segundo analistas, pode ampliar a dependência brasileira em relação ao gigante asiático e limitar sua presença em mercados ocidentais, especialmente em setores de maior valor agregado.
Em entrevista recente, Milei chegou a sugerir que o Brasil deveria agradecer por tarifas não terem sido ainda mais elevadas, e afirmou que sua boa relação com Trump ajudou a evitar punições mais duras ao Mercosul. A declaração evidencia o atual desalinhamento entre as duas maiores economias da América do Sul.
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