“Constatamos que há um esquema de adoções ilegais”, diz delegada após venda de bebê por R$500 em Manacapuru
Um esquema de tráfico de pessoas com a finalidade de adoção ilegal foi desmantelado no último fim de semana no AM.
- Foto: AM POST
Notícias policiais – Um esquema de tráfico de pessoas com a finalidade de adoção ilegal foi desmantelado no último fim de semana no município de Manacapuru, a 68 quilômetros de Manaus. Três pessoas foram presas em flagrante: o intermediador José Uberlane Pinheiro de Magalhães, de 47 anos, e o casal Luiz Armando dos Santos, de 40 anos, e Wesley Fabiano Lourenço, de 38 anos, ambos residentes no estado de São Paulo.
As prisões ocorreram após uma denúncia anônima que levou policiais civis até o estacionamento de uma maternidade da cidade, onde Luiz e Wesley aguardavam para receber um recém-nascido de forma ilegal. José Uberlane teria organizado a entrega da criança, intermediando o contato com a mãe biológica, que estaria disposta a abrir mão do bebê em troca de uma quantia em dinheiro.
Adoção ilegal em troca de R$ 500
Segundo relatos da delegada Joyce Coelho, titular da Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai), o intermediador afirmou ter sido procurado pela mãe da criança, que alegava estar devendo R$ 500 a um agiota e teria solicitado ajuda para encontrar alguém que aceitasse a criança em troca do valor.
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“Ele afirma que acreditava não se tratar de um crime grave, mas a Polícia tem evidências de que essa intermediação já havia sido feita anteriormente. Foram identificadas diversas transferências via PIX, que ele diz ter repassado à mãe da criança. Mas essa narrativa está sendo investigada com rigor”, afirmou a delegada em coletiva de imprensa.
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Posted by AM POST on Monday, July 14, 2025
Casal monitorava gestação desde junho
As investigações apontam que Luiz Armando e Wesley Fabiano chegaram ao Amazonas em junho deste ano e passaram a monitorar o avanço da gestação da mãe, aguardando o momento do nascimento para realizar a retirada da criança. Um deles trabalha como corretor de imóveis e o outro como arquiteto. Ambos possuem histórico de tentativas de adoção frustradas.
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“Eles já estiveram outras vezes em Manacapuru, tentando outras adoções. Há indícios de que tenham conseguido levar outra criança anteriormente, embora essa informação ainda não tenha sido confirmada oficialmente”, revelou a delegada Joyce Coelho.
Tentativas anteriores com fraude e irregularidades
Conforme a Polícia, Luiz e Wesley já haviam dado entrada em um processo de adoção legal, que foi arquivado por irregularidades documentais e por suspeita de tentativa de fraude. Ao não conseguirem seguir os trâmites legais, optaram por burlar o sistema e pagar diretamente pela criança — prática que configura tráfico humano, conforme o artigo 149-A do Código Penal.
“Os dois tiveram um processo de adoção arquivado por não estarem com a documentação em dia e por tentar fraudar o processo. Então eles não conseguiram a adoção por meios legais e agora tentaram burlando o sistema e pagando para que pudessem levar essa criança para SP. Esse tipo de adoção é um crime que se enquadra no artigo 149 do código penal de tráfico humano”, declarou.
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A delegada frisou que esse tipo de conduta não apenas é criminosa, mas fere profundamente os direitos da criança e desrespeita o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que estabelece regras rigorosas para o processo de adoção no Brasil.
Suposta rede de adoções ilegais com atuação em São Paulo
Durante o depoimento, José Uberlane apontou que em São Paulo há uma mulher, também natural de Manacapuru, que atua de forma recorrente na facilitação de adoções ilegais. Segundo ele, essa mulher organiza a captação de crianças e intermedeia entregas ilegais para casais interessados, mediante pagamento.
“Essa mulher ainda não foi identificada, mas tudo indica que se trata de uma figura central em uma rede criminosa maior, com atuação interestadual”, disse a delegada. “Apreendemos os celulares dos três presos e solicitamos à Justiça a quebra de sigilo dos aparelhos. A expectativa é mapear todos os envolvidos e descobrir até onde essa rede se estende.”
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“Nós constatamos que há um esquema de adoções ilegais inclusive com o pagamento de quantias em dinheiro”, contou a delegada.
Criança está sob proteção institucional
O recém-nascido, do sexo masculino, foi resgatado e está atualmente sob a responsabilidade de uma instituição de acolhimento em Manacapuru. A criança ficará sob proteção do Estado até que a Justiça decida seu destino, podendo ser encaminhada para a fila oficial de adoção legal ou entregue a familiares que comprovem condições legais de guarda.
A mãe biológica, cujo nome não foi divulgado, está na delegacia e prestaram depoimento nesta segunda-feira (14) e também deve ser indiciada.
Tráfico de pessoas: crime grave e silencioso
O tráfico de pessoas com a finalidade de adoção ilegal é uma das formas mais graves de violação dos direitos humanos e da infância. No Brasil, esse tipo de crime é subnotificado, mas tem ganhado espaço especialmente em regiões marcadas pela vulnerabilidade social e falta de fiscalização.
Casos como o de Manacapuru acendem um alerta sobre a necessidade de reforço nas políticas públicas de proteção à criança e ao adolescente, bem como no monitoramento de processos de adoção e denúncia de práticas ilegais.
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