Itália diz que segue buscando Carla Zambelli e descarta pista recente sobre deputada foragida
Segundo Piantedosi, responsável pela segurança pública e pelas forças policiais italianas, as investigações seguem em curso.
- Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Notícias de Política – O governo da Itália afirmou nesta quarta-feira (16) que ainda não localizou a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), foragida no país há mais de 40 dias. A informação foi confirmada pelo ministro do Interior, Matteo Piantedosi, durante sessão na Câmara dos Deputados italiana.
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Segundo Piantedosi, responsável pela segurança pública e pelas forças policiais italianas, as investigações seguem em curso, mas sem êxito na identificação do paradeiro da parlamentar. “As investigações realizadas até o momento e ainda em andamento não levaram à localização da deputada brasileira”, disse o ministro.
A declaração foi feita em resposta a uma interpelação do deputado Angelo Bonelli, do partido Verde e de Esquerda, que questionou formalmente o governo sobre os motivos da demora em localizar Zambelli, mesmo diante de uma ordem de prisão da Interpol, solicitada pelas autoridades brasileiras.
O ministro descartou também a informação divulgada pelo jornal La Repubblica, de que Zambelli teria sido vista saindo de um culto evangélico na cidade de Scafati, no sul do país. “Novas inspeções foram realizadas sobre a possível presença da referida em uma comunidade religiosa da região de Salerno, mas foi prontamente constatado que a pessoa era outra mulher, sem relação com o caso”, esclareceu.
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Carla Zambelli entrou na Itália no dia 5 de junho, por meio do aeroporto Fiumicino, em Roma, em um voo procedente dos Estados Unidos. Ela passou normalmente pelo controle de passaportes utilizando sua cidadania italiana. Segundo a subsecretária do Interior, Wanda Ferro, o nome de Zambelli só entrou no sistema da Interpol cerca de cinco horas após sua entrada no país, o que impediu qualquer medida imediata de detenção.
A deputada foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e é considerada foragida desde então.
Durante a sessão, o deputado Bonelli sugeriu que a parlamentar estaria sendo protegida politicamente. “O que está havendo, senhor ministro? Por que a polícia italiana, com toda sua capacidade, ainda não localizou essa pessoa? A não ser que ela goze de cobertura política, o que seria extremamente grave”, afirmou.
Ele também mencionou a existência de um novo perfil no Instagram que estaria sendo utilizado por Zambelli, além de vídeos supostamente recentes. O advogado da deputada no Brasil, Fábio Pagnozzi, chegou a declarar que ela poderia tentar concorrer nas eleições italianas de 2027, em razão da sua dupla cidadania.
Entre os partidos do governo italiano, a Liga — de ultradireita e comandada pelo vice-premiê Matteo Salvini — é considerada próxima da família Bolsonaro. Salvini já recebeu o senador Flávio Bolsonaro em visita recente, e o ex-presidente Jair Bolsonaro participou por vídeo de evento da sigla em outubro do ano passado.
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