Senado impõe sigilo de 100 anos sobre registros de entrada de lobista envolvido na “Farra do INSS”
Careca do INSS esteve em gabinetes de parlamentares e de membros da Previdência.

Foto: Reprodução
Notícias do Brasil – O Senado Federal decidiu impor sigilo de 100 anos sobre registros de entrada do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em suas dependências. A medida, baseada na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), foi adotada após solicitação feita pela imprensa via Lei de Acesso à Informação (LAI).
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A Casa alegou que os dados são de “caráter pessoal” e, por isso, não podem ser divulgados. A justificativa contraria entendimento da Controladoria-Geral da União (CGU), que defende a publicidade de registros de entrada em órgãos públicos como forma de garantir transparência e detectar possíveis conflitos de interesse.
Careca do INSS é apontado como um dos principais articuladores do esquema bilionário conhecido como “Farra do INSS”, revelado pelo portal Metrópoles. O escândalo envolveu descontos irregulares em aposentadorias e pensões, e resultou na queda do então presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
O lobista já foi recebido ao menos três vezes no gabinete do senador Weverton Rocha (PDT-MA), segundo o próprio parlamentar, que também foi responsável por indicar aliados a cargos estratégicos na Previdência. Entre eles está o atual secretário-executivo da pasta, Adroaldo Portal, que admitiu ter se reunido com o lobista em março de 2023, alegando não saber quem ele era no momento do encontro.
Enquanto o Senado negou acesso às informações, a Câmara dos Deputados respondeu à mesma solicitação informando que não há registros de entradas do lobista desde janeiro de 2019.
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A Polícia Federal já apreendeu carros de luxo atribuídos a Careca do INSS e investiga novas tentativas de atuação do lobista no mercado de crédito consignado por meio de uma empresa recém-criada em Brasília. Ele também responde a ações na Justiça movidas por entidades que buscam reaver valores perdidos com desfiliações motivadas por fraudes.
Apesar do escândalo e do interesse público evidente, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não comentou a decisão de sigilo. A medida acende novo alerta sobre a falta de transparência no Congresso Nacional e as brechas legais que continuam protegendo figuras centrais de esquemas bilionários à custa de segurados do INSS.
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