Com vazante dos rios, agricultores do Amazonas retomam cultivo para recuperar prejuízos causados pela cheia
Segundo dados da Defesa Civil, mais de 535 mil pessoas foram afetadas pela cheia no estado.
- Sepror
Notícias do Amazonas – Após meses de severa cheia, os rios do Amazonas iniciaram o processo de vazante, e os agricultores das regiões mais afetadas começam a retomar seus cultivos. No município de Benjamin Constant, banhado pelo Rio Solimões, produtores voltaram a plantar com esperança de recuperar os prejuízos acumulados ao longo do primeiro semestre.
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Segundo dados da Defesa Civil, mais de 535 mil pessoas foram afetadas pela cheia no estado. Entre os principais impactos estão as dificuldades de deslocamento, alagamentos de residências e perdas na produção agrícola. Agora, com a baixa gradual das águas, o solo se mostra mais fértil, incentivando o replantio, especialmente de mandioca, principal fonte de renda para muitas famílias.
O agricultor Francisco Maciel é um exemplo da resistência ribeirinha. Junto com o tio, ele já prepara o terreno para o novo cultivo: “Quando o rio cresce, a terra também cresce um pouco. Ela fica mais fértil, melhor para plantar. A mandioca dá mais bonito ainda”, afirmou.
A região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru tem enfrentado extremos climáticos. Em 2024, a estiagem castigou a população. Já em 2025, Benjamin Constant foi um dos 40 municípios do Amazonas a decretar situação de emergência por conta da cheia, que se estendeu até maio.
Apesar do avanço da recuperação agrícola, a ajuda humanitária estadual só chegou a algumas comunidades na última semana, mesmo após o rio ter baixado cerca de três metros. Já a assistência do Governo Federal ainda está prevista para as próximas semanas.
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A prefeitura local informou que, enquanto organiza a distribuição dos donativos, também já começou a preparar ações preventivas contra a próxima estiagem, como explicou o secretário da Defesa Civil municipal, Ricelly Dácio. “Estamos saindo da enchente, mas já nos planejando para enfrentar a seca. A perfuração de poços é uma das respostas que estamos adotando”, destacou.
Na zona rural, o agricultor Juarez Fernandes tenta recuperar sua plantação de maracujá, alagada durante a enchente. “A água começou a descer em 27 de maio. Em junho, já replantamos. Se Deus quiser, em novembro vamos colher. E se a água não voltar, vamos colher até o próximo ano”, declarou.
Impacto em todo o estado
Na capital, o Rio Negro atingiu 29,05 metros, cinco centímetros acima da cota de inundação severa, segundo dados do Porto de Manaus. A cheia também causou impactos na educação: de acordo com a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc), 444 alunos foram afetados em quatro municípios — Anamã, Itacoatiara, Novo Aripuanã e Uarini — e seguem com o ensino remoto por meio do programa “Aula em Casa”.
O Governo do Amazonas informou que já foram entregues 580 toneladas em cestas básicas, 2.450 caixas d’água de 500 litros, 57 mil copos de água potável, 10 kits purificadores de água e uma Estação de Tratamento Móvel (Etam) a dezoito municípios.
Além disso, 72 kits de medicamentos foram enviados a Apuí, Boca do Acre, Manicoré, Humaitá, Ipixuna, Guajará e Novo Aripuanã, beneficiando cerca de 35 mil pessoas. O município de Manicoré também recebeu uma nova usina de oxigênio, com capacidade de produzir 30 metros cúbicos por hora. Já Apuí foi contemplado com seis cilindros de oxigênio para reforçar a estrutura de saúde local.
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