Mais de 500 dragas ilegais são flagradas no rio Madeira durante sobrevoo entre Rondônia e Amazonas
O sobrevoo, parte de uma missão de mapeamento conduzida pelo pesquisador Nilo D’Ávila, revelou a dimensão do garimpo ilegal.
- Foto: Edson Gabriel
Notícias do Amazonas – Uma operação de monitoramento realizada pelo Greenpeace Brasil flagrou mais de 500 dragas operando ilegalmente no rio Madeira, em um trecho de 842 quilômetros entre Porto Velho (RO) e Novo Aripuanã (AM). O sobrevoo, parte de uma missão de mapeamento conduzida pelo pesquisador Nilo D’Ávila, revelou a dimensão do garimpo ilegal de ouro na região, evidenciado por centenas de balsas aglomeradas, inclusive em áreas próximas a terras indígenas e unidades de conservação.
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As imagens aéreas mostraram embarcações operando de forma intensa, inclusive ao lado da Reserva e da Estação Ecológica do Cuniã. Em determinados pontos, grupos de até 48 dragas formavam barreiras que obstruíam o canal do rio, prejudicando a navegação de embarcações de transporte coletivo.
“O garimpo ilegal, além do impacto ambiental, representa risco à saúde das comunidades e ameaça o modo de vida tradicional ribeirinho, afastando jovens da escola e comprometendo a agricultura familiar”, alerta Nilo D’Ávila. Ele relata ainda que o “sonho dourado” do ouro está contaminando o rio, destruindo a fauna aquática e causando um verdadeiro colapso social.
Durante o sobrevoo, foi identificado que essas balsas operam próximo a comunidades vulneráveis e em áreas ambientalmente protegidas, comprometendo também a segurança da navegação. Em um dos registros, uma embarcação de transporte de passageiros precisou desviar do trajeto devido ao bloqueio causado pelas dragas.
O Greenpeace anunciou que vai organizar as imagens e os dados levantados para formalizar denúncias ao Ministério Público, Ibama e secretarias de Meio Ambiente dos estados afetados. A expectativa é pressionar as autoridades para ações mais eficazes de combate ao garimpo ilegal na região amazônica.
De acordo com a Polícia Federal, entre julho de 2024 e julho de 2025, foram realizadas quatro operações no rio Madeira, em Rondônia. Nessas ações, 109 dragas foram inutilizadas por envolvimento em atividades ilegais de extração de ouro.
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