Advogada de policiais presos por estupro de indígena nega crime e diz que mulher agiu por vingança pessoal no AM
Viviane Batalha afirmou que os clientes são inocentes e que a vítima está usando da situação.
- Foto: Divulgação
Notícias policiais – A advogada Viviane Batalha, responsável pela defesa dos quatro policiais militares acusados de estuprar uma mulher indígena da etnia Kokama, em Santo Antônio do Içá (a 880 quilômetros de Manaus), afirmou nesta segunda-feira (28) que a denúncia é uma “mentira motivada por vingança”. Em entrevista coletiva, ela disse que a indígena teria inventado o crime após ser flagrada com drogas durante uma visita íntima de seu companheiro — um homem que, segundo a defensora, a agredia constantemente.
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De acordo com a advogada, a indígena mantinha relacionamento com um companheiro violento, que a visitava durante o período em que ela esteve detida. Em uma dessas visitas íntimas, o casal foi flagrado consumindo drogas, e esse episódio teria dado origem a uma retaliação por parte da mulher.
Defesa questiona veracidade do relato da vítima
Viviane Batalha também colocou em dúvida a credibilidade do depoimento da vítima e que tem provas. A advogada chegou a sugerir que a mulher poderia sofrer de mitomania, uma condição psicológica caracterizada por mentiras compulsivas.
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Ela também rebateu a informação de que o bebê da mulher teria nascido dentro da cela onde ela estava custodiada. Segundo ela a narrativa foi exagerada ou distorcida para gerar comoção e atenção midiática.
“Teve a palavra da vítima em todos os momentos, mas nada que comprove que realmente teve a autoria por parte deles. Então, foi uma situação arbitrária, porque não teve comprovação da autoria. Pela repercussão que houve, o Ministério Público agiu para manter a ordem pública. Então, é essa a decisão que está lá, pela ordem pública, inclusive a midiática”.
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Acusações contra os policiais
Apesar da tentativa de descredibilizar a denúncia, quatro policiais militares e um guarda municipal estão presos preventivamente desde o último sábado (26) por suspeita de estupro. Outros dois PMs, que estavam fora do município — um de férias e outro em missão — são aguardados para se entregar nos próximos dias. A investigação está sendo conduzida pela Polícia Militar e pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), com base em laudos periciais, exames de conjunção carnal, avaliação psiquiátrica e depoimentos colhidos ao longo do inquérito.
O MPAM afirmou, em nota oficial, que não irá comentar as declarações da advogada por respeito aos princípios legais e éticos da instituição. “O trabalho do MPAM, neste caso, foi conduzido com total rigor técnico, fundamentado no depoimento da vítima, em laudos periciais e no Inquérito Policial Militar, que tramita desde 2023”, informou o órgão. A nota ainda ressaltou que o local adequado para a defesa apresentar seus argumentos é o processo judicial, onde há espaço legítimo para o contraditório e a ampla defesa.
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