Multinacional Coimpa, de Manaus, mantém negócios com empresa suspeita de venda ilegal de mercúrio na Amazônia
A revelação coloca em xeque a política de compliance da Coimpa.
Notícias do Amazonas – A multinacional Coimpa, sediada no Polo Industrial de Manaus (PIM) e integrante do grupo belga Umicore, mantém relações comerciais com a Metalms Industrial Brasileira de Metais, empresa sob investigação da Polícia Federal por participação em esquema bilionário de mercúrio destinado a garimpos ilegais na Amazônia. A revelação coloca em xeque a política de compliance da Coimpa, voltada à conformidade legal, ética e ambiental.
A Metalms, com sede em Arujá (SP), comprava metais preciosos como ouro e prata da Coimpa, mas também foi identificada como intermediária de mercúrio para garimpeiros em áreas do Amazonas, Pará, Mato Grosso, Rondônia e Roraima. A empresa já havia sido citada como investigada da Operação Hermes, deflagrada pela Polícia Federal em 2022, que resultou no bloqueio de aproximadamente R$ 3 bilhões de envolvidos no esquema.
“As fraudes identificadas e investigadas têm como modus operandi o lançamento de dados falsos no sistema e a comercialização de créditos virtuais fictícios que acobertam vendas e transporte de mercúrio real sem origem legal. A investigação aponta para indícios de mais de duas toneladas de mercúrio comercializadas mediante a utilização de métodos criminosos, em detrimento dos sistemas de controle do Ibama”, explicou a PF em nota na época da operação.
Segundo o Portal Olhar Jurídico a investigação aponta que a Metalms Indústria Brasileira de Metais, por meio de seus sócios, atuava como fornecedora principal, vendendo mais de 500 kg de mercúrio de forma ilegal. A empresa também possuía créditos de mercúrio registrados no sistema do Ibama, que poderiam ser utilizados para legitimar toda a cadeia de comercialização.
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Justiça mantém investigação e rejeita habeas corpus
No último 28 de julho, o desembargador André Nekatschalow, do Tribunal Federal da 3ª Região, negou habeas corpus aos sócios da Metalms, Carlos e Ferdinando Morelli. Eles alegavam falta de provas e que a comercialização do mercúrio era lícita, contestando pareceres do Ibama.
“Ao contrário do que sustenta o impetrante, não se constata de plano a ausência da materialidade delitiva, sendo temerário obstar por completo o andamento das investigações que dependem da análise aprofundada de elementos. Desse modo, pelo que se verifica dos autos, não está demonstrado o constrangimento ilegal”, diz o magistrado.
Veja documento:ACORDAO-HC-JOSE-MORELLI
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Em sua decisão, o magistrado destacou que a Metalms teria realizado vendas suspeitas a diversas associações e empresas, incluindo a Cooperativa de Mineradores e Garimpeiros da Região de Aripuanã (Coopemiga), Admf Comércio e Serviços Ltda – ME, Nothi Comercial Ltda. e Quimar Comércio de Produtos Químicos e Tratamento.
Notas fiscais recentes reforçam vínculo comercial
Mesmo sob investigação, a Coimpa emitiu ao menos três notas fiscais à Metalms em julho de 2025, totalizando mais de R$ 7 milhões em aquisições de metais preciosos. Essa parceria contraria diretrizes de compliance corporativo, que exigem que empresas clientes estejam em total conformidade com normas legais, fiscais, ambientais e anticorrupção.
Veja documento: NF1
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Veja documento:NOTA FISCAL 2
Veja documento:

Especialistas destacam que, mesmo que as transações da Coimpa envolvam apenas metais preciosos, a relação comercial com uma empresa sob investigação compromete a reputação da multinacional e gera riscos legais e ambientais.
Compliance em xeque: riscos para a Coimpa
O compliance corporativo é o conjunto de regras, processos e boas práticas que asseguram que uma empresa atue dentro das leis trabalhistas, fiscais, ambientais e anticorrupção. No caso da Coimpa, a manutenção de negócios com a Metalms sugere falhas na avaliação de risco e monitoramento de clientes, expondo a multinacional a sanções legais, boicotes e danos à imagem internacional.
Segundo advogados especializados em direito empresarial e ambiental, empresas que mantêm relações comerciais com investigados por crimes ambientais podem enfrentar responsabilização civil e penal, além de pressão de órgãos de fiscalização, como Ibama e Ministério Público Federal.
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Impacto ambiental do mercúrio na Amazônia
O uso de mercúrio nos garimpos ilegais é um dos principais problemas ambientais da Amazônia. A substância tóxica contamina rios, solos e a cadeia alimentar, afetando comunidades ribeirinhas e ecossistemas inteiros. A fiscalização pelo Ibama busca impedir que mercúrio importado ou comercializado de forma irregular seja distribuído a garimpeiros.
A relação da Coimpa com a Metalms, mesmo que indireta, evidencia como redes de empresas podem contribuir, involuntariamente, para a perpetuação de crimes ambientais, caso não haja monitoramento rigoroso.
Outro lado
A reportagem tentou mas não conseguiu contato com a Coimpa nem com a Metalms mas deixa aberto espaço para manifestação.
*Com informações do site Panorâmica News
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