Manaus fica primeira vez sem registro de casos da hepatite A no semestre
Expansão da rede de esgoto e acesso à água tratada são apontados como principais fatores para o resultado histórico

Foto: Divulgação
Notícias do Amazonas – Pela primeira vez em anos, Manaus conseguiu zerar os casos de hepatite A em um semestre. O dado é da Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), que aponta a ausência da doença entre janeiro e junho de 2025, em meio à ampliação da rede de esgotamento sanitário e do fornecimento de água tratada.
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No total, foram 112 registros de hepatites virais na capital no período, contra 235 no mesmo semestre de 2024, o que representa uma queda de 52%. A distribuição dos casos inclui 73 de hepatite B, 36 de hepatite C e três de hepatite D. No ano passado, haviam sido 125 casos de hepatite B, 96 de hepatite C, 11 de hepatite D e três de hepatite A.
A redução reforça uma tendência dos últimos anos: entre 2018 e 2024, os casos de hepatite A caíram 88% na capital amazonense. Para especialistas, esse avanço está diretamente ligado à expansão da cobertura de saneamento e à melhoria no acesso à água tratada, medidas que diminuem o risco de contaminação por alimentos e água imprópria.
Leia mais: Casos de hepatites caem 34% no Amazonas, diz SES-AM
Saneamento e saúde pública
Atualmente, cerca de 35% da população de Manaus está conectada à rede de coleta de esgoto — um salto em relação aos 18% registrados há sete anos. A meta da concessionária Águas de Manaus e da Prefeitura é atingir 40% até o fim de 2025 e alcançar 90% até 2033.
O impacto já aparece em outros indicadores. Em janeiro deste ano, os casos de diarreia caíram 46% em comparação ao mesmo mês de 2024, enquanto a dengue teve redução de 73% no primeiro semestre, passando de 2.325 registros para 712.
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Especialistas apontam que o saneamento básico é determinante para reduzir doenças transmitidas por via hídrica. A engenheira ambiental Rosana Nobre da Silva ressalta que, além da expansão da rede, é preciso garantir a adesão da população às ligações domiciliares.
Já a bióloga Lieda Kellen destaca que o saneamento atua de forma preventiva, interrompendo o ciclo de transmissão de diversas doenças. “Investir em esgoto tratado é também economizar recursos públicos, já que os custos de prevenção são muito menores que os de tratamento”, afirma.
Para o diretor-presidente da Águas de Manaus, Pedro Augusto Freitas, os dados confirmam que a cidade avança na direção da universalização do saneamento. “Cada residência conectada à rede representa mais qualidade de vida, menos doenças e um ambiente mais saudável”, disse.
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