Bancos brasileiros perdem R$ 41,9 bi na Bolsa após decisão de Flávio Dino sobre Lei Magnitsky
A medida é vista por analistas e investidores como um movimento para barrar a aplicação da Lei Magnitsky no país.
- Agência Senado
Notícias do Brasil – O mercado financeiro brasileiro registrou forte turbulência nesta terça-feira (19), com queda expressiva nas ações dos principais bancos do país. A perda conjunta chegou a R$ 41,9 bilhões em valor de mercado, em meio à tensão causada pela decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que estabeleceu que sanções estrangeiras só podem ter efeito no Brasil mediante homologação judicial ou por mecanismos de cooperação internacional.
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A medida é vista por analistas e investidores como um movimento para barrar a aplicação da Lei Magnitsky no país, que prevê sanções a indivíduos e entidades acusados de violações de direitos humanos e corrupção, frequentemente utilizada pelos Estados Unidos.
Impacto nas ações dos bancos
O Índice Financeiro (IFNC) da B3 teve a maior queda entre os setores, recuando 3,82%, o pior desempenho desde janeiro de 2023. Entre os bancos:
Banco do Brasil (BBAS3): queda de 6,03%, perda de R$ 7,25 bilhões em valor de mercado;
Itaú (ITUB4): queda de 3,04%, perda de R$ 14,71 bilhões;
Bradesco (BBDC3 e BBDC4): recuo de 3,29% e 3,43%, respectivamente, com redução de R$ 5,4 bilhões;
Santander (SANB11): baixa de 4,88%, perda de R$ 3,2 bilhões;
BTG Pactual (BPAC11): queda de 3,48%, perda de R$ 11,42 bilhões.
Com isso, o Ibovespa fechou em queda de 2,10%, aos 134.432 pontos, enquanto o dólar avançou 1,22%, cotado a R$ 5,50, reflexo da busca dos investidores por proteção diante do cenário de incertezas.
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Repercussão no mercado e tensão com os EUA
A decisão de Flávio Dino provocou apreensão no setor financeiro. O receio é de que bancos brasileiros fiquem em uma posição delicada entre cumprir determinações dos EUA e as regras impostas pelo STF.
O Departamento de Estado dos EUA reagiu de forma indireta, afirmando que nenhuma corte estrangeira pode invalidar as sanções norte-americanas.
Economistas também destacaram os riscos. Segundo Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, a situação pode gerar impasses para instituições que atuam nos dois países. Para Étore Sanchez, da Ativa Investimentos, o episódio eleva o risco-país e reduz a atratividade para investimentos.
Já Alison Correia, da Dom Investimentos, ressalta que a complexidade do tema leva os investidores a adotarem cautela. “Na dúvida, o investidor comprou dólar e vendeu Bolsa”, afirmou.
O episódio escancara o impacto direto da política internacional e das decisões judiciais no desempenho do mercado financeiro brasileiro, que pode continuar enfrentando volatilidade até que haja maior clareza sobre os efeitos da decisão do STF e a postura do governo norte-americano.
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