Com Ream nas mãos do Grupo Atem, petróleo de Urucu deixa de ser refinado em Manaus e vai para SP afetando economia do AM
Decisão retira autonomia energética do Amazonas e aumenta custo dos combustíveis na região.
- Foto: Divulgação/Petrobras
Notícias do Amazonas – A produção de petróleo refinado em Manaus enfrenta um dos piores momentos da sua história recente. Dados revelam que a Refinaria de Manaus (antiga Reman, hoje Ream) deixou de processar petróleo extraído em Urucu, na região do Polo Arara, e atualmente todo o combustível é enviado para a cidade de São Sebastião (SP), onde passa pelo refino. Essa mudança gera não apenas um impacto econômico direto no Amazonas, mas também levanta preocupações sobre os custos de combustíveis e a viabilidade logística da cadeia de produção.
Até o final de 2022, a refinaria localizada em Manaus recebia regularmente cerca de 50 mil metros cúbicos de petróleo a cada 35 a 40 dias, o que mantinha uma produção média em torno de 40 mil barris de petróleo por dia. Essa dinâmica mudou após a privatização da Reman, no governo Bolsonaro, quando a unidade passou a ser administrada pelo Grupo Atem e mudou de nome para Refinaria da Amazônia (Ream).
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Em 2023, a produção caiu para menos de 30 mil barris diários, marcando a primeira queda significativa na história da refinaria. Já em 2024, o cenário se agravou: a produção recuou para menos de 10 mil barris por dia. Em 2025, a situação chegou ao ponto mais crítico, com a Ream deixando de solicitar petróleo à base de Urucu desde fevereiro, o que significa que atualmente nenhum litro do petróleo amazônico está sendo refinado em Manaus.
- Foto: reprodução
Logística comprometida e custos elevados
O novo modelo logístico obriga que o petróleo extraído em Urucu seja transportado por balsas até Manaus e, de lá, siga em viagem de 14 a 16 dias até São Sebastião, em São Paulo, para passar pelo processo de refino. Esse trajeto encarece o transporte, sobrecarrega a Petrobras e cria o risco de inviabilizar economicamente a base de Urucu, responsável por grande parte da produção amazônica.
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Com a paralisação do refino em Manaus, os efeitos se estendem ao consumidor final. A gasolina e o gás de cozinha vendidos no Amazonas continuam entre os mais caros do país, situação que gera revolta em um estado que possui produção própria de petróleo, mas não consegue transformá-lo localmente.
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Consequências econômicas para o Amazonas
A falta de refino na refinaria local também significa perda de arrecadação para o estado e enfraquecimento da cadeia produtiva que girava em torno da atividade. A refinaria Isaac Sabbá foi, por décadas, um importante polo de geração de empregos diretos e indiretos e, ao longo dos anos, contribuiu para reduzir custos logísticos de combustíveis na região.
Agora, com o petróleo indo exclusivamente para São Paulo, o Amazonas sofre uma espécie de “dupla penalização”: perde economicamente e paga mais caro por combustíveis essenciais.
Pedido por providências imediatas
O ex-deputado federal Marcelo Ramos se manifestou sobre o caso nas redes sociais e disse que é urgente um diálogo entre a Petrobras e a Ream para restabelecer o fornecimento de petróleo amazônico à refinaria de Manaus. A retomada da produção local é vista como medida estratégica não apenas para reduzir custos e equilibrar preços, mas também para garantir a autonomia energética da região Norte.
“Enquanto isso, a nossa refinaria do Amazonas refina zero petróleo e nós continuamos pagando a gasolina mais cara do Brasil. Mas após esse vídeo, os próximos serão sobre por que nós pagamos a gasolina mais cara do Brasil, por que essa decisão da Reman torna o gás de cozinha no Amazonas também muito caro e por que torna a gasolina muito cara também no Amazonas. É preciso providências imediatas, diálogo entre Petrobras e Reman para que a gente possa resolver isso e a nossa refinaria volte a fazer o refino do petróleo de Urucu, que hoje, repito, está sendo refinado lá na base de São Sebastião e São Paulo. Isso é um absurdo que precisa ser revertido“, disse.
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