Forças Armadas da Venezuela não teriam capacidade de resistir a eventual ataque dos EUA, dizem especialistas
Maduro afirmou nesta semana que a Venezuela está preparada para defender seus mares, céus e terras, garantindo que nenhum “império” voltará a pisar no solo do país.
- Foto: Reprodução
Notícias do Mundo – As recentes ameaças dos Estados Unidos de uma possível intervenção militar na Venezuela reacenderam o debate sobre o equilíbrio de forças entre os dois países. Embora o presidente Nicolás Maduro tenha declarado que suas tropas estão prontas para defender o país de qualquer invasão estrangeira, especialistas apontam que, na prática, as Forças Armadas venezuelanas não teriam condições de dissuadir ou resistir a um ataque norte-americano.
Maduro afirmou nesta semana que a Venezuela está preparada para defender seus mares, céus e terras, garantindo que nenhum “império” voltará a pisar no solo do país. O presidente destacou ainda que poderá mobilizar até 4,5 milhões de milicianos – civis armados e treinados – em apoio às Forças Armadas regulares. “Nenhum império tocará o solo sagrado da Venezuela ou da América do Sul”, disse o líder chavista, em discurso inflamado.
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Apesar da retórica, analistas militares avaliam que a diferença de poder bélico entre os dois países é abissal. O historiador e pesquisador de conflitos armados Rodolfo Queiroz Laterza ressaltou que, mesmo com equipamentos considerados razoáveis diante das condições socioeconômicas do país, a Venezuela não possui tecnologia, estrutura logística ou poder de fogo para enfrentar as Forças Armadas dos Estados Unidos.
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“São forças destinadas a uma defesa nacional bastante limitada. A capacidade de dissuasão das forças armadas latino-americanas é pífia perante os Estados Unidos”, explicou Laterza em entrevista a Agência Brasil. Ele acrescentou que esse desequilíbrio não se restringe apenas à Venezuela, mas também atinge países como o Brasil, cuja dependência de tecnologia e estrutura norte-americana é considerada por parte da caserna como inevitável.
Poder militar norte-americano
A comparação entre os dois exércitos evidencia o abismo. Os Estados Unidos contam com a maior força militar do planeta, com orçamento anual que supera US$ 800 bilhões, centenas de bases ao redor do mundo, além de frotas aéreas e navais de última geração. A Marinha norte-americana possui porta-aviões nucleares capazes de projetar poder a milhares de quilômetros de distância, enquanto a Força Aérea detém caças furtivos de quinta geração e bombardeiros estratégicos.
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Em contraste, a Venezuela opera equipamentos militares russos e chineses, como caças Sukhoi Su-30, alguns sistemas de defesa antiaérea S-300 e veículos blindados, mas em número limitado. O país sofre com dificuldades logísticas, falta de manutenção adequada e dependência de fornecedores externos para reposição de peças e munições.
Essa diferença torna praticamente impossível que Caracas resista a uma ofensiva direta. A capacidade de mobilizar milicianos, defendida por Maduro, é considerada pelos especialistas como insuficiente diante do poder de fogo e da tecnologia norte-americana.
Repercussões regionais
Uma intervenção militar dos EUA na Venezuela, no entanto, não seria isenta de riscos. O especialista Rodolfo Laterza alerta que até mesmo uma ação pontual poderia gerar instabilidade em toda a América Latina e no Caribe. Além do impacto político, a possibilidade de confrontos internos e o aumento no fluxo migratório poderiam agravar crises já existentes na região.
Apesar do discurso firme de Maduro, analistas avaliam que a postura norte-americana busca mais efeito dissuasório e político do que necessariamente a concretização de uma invasão. Ainda assim, a presença de navios de guerra dos EUA próximos ao território venezuelano indica que o cenário segue tenso e com potencial de escalada.
Enquanto isso, a Venezuela se mantém em uma posição delicada: sustentar a narrativa de resistência, mas sem meios reais de equilibrar forças contra a maior potência militar do planeta.
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