Comunidade quilombola de Parintins é reconhecida durante cerimônia da Fundação Palmares
Certificação da comunidade Baixa da Xanda foi entregue durante celebração dos 37 anos da Fundação Palmares, em Brasília.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Notícias do Amazonas – O Amazonas celebrou uma importante conquista para a valorização de suas raízes afrodescendentes com o reconhecimento oficial da comunidade urbana de Baixa da Xanda, em Parintins, como remanescente de quilombo. A certificação foi entregue nesta sexta-feira (22), durante a cerimônia dos 37 anos da Fundação Cultural Palmares, em Brasília.
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A entrega do documento marca o autorreconhecimento da comunidade, o que assegura o direito de acesso a políticas públicas específicas e representa um marco legal na preservação da história e dos direitos dos moradores. A comunidade é formada por descendentes de pessoas escravizadas que, desde o século 19, mantêm vivas tradições culturais e familiares no município amazonense.
A aposentada Maria do Carmo Monteverde, de 86 anos, foi uma das representantes da Baixa da Xanda no evento. Ela emocionou o público ao cantar em homenagem aos pais e antepassados que ajudaram a construir a identidade da comunidade. “Sou uma raiz desse lugar. Essa vitória preserva a memória dos meus avós, bisavós e tataravós”, declarou, ao lado da filha, Magali, de 55 anos.
Reconhecimento histórico
O certificado foi entregue pelas mãos do presidente da Fundação Palmares, João Jorge Santos Rodrigues, e da ministra da Cultura, Margareth Menezes, que ressaltaram a importância das ações de reparação histórica e do fortalecimento da identidade negra no Brasil.
“Nossa história não pode ser apagada. O reconhecimento de comunidades como a Baixa da Xanda é essencial para garantir memória, dignidade e justiça social”, disse a ministra.
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Além da comunidade de Parintins, também foi reconhecida a comunidade de Antinha de Baixo, no estado de Goiás. Ao todo, mais de 200 certificados foram emitidos nos últimos dois anos pela Fundação Palmares, reforçando o compromisso com as populações quilombolas em todo o país.
Com o certificado de autorreconhecimento, a comunidade de Baixa da Xanda poderá agora iniciar o processo de regularização fundiária junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), além de garantir maior proteção em eventuais disputas territoriais.
Durante a cerimônia, também foram anunciadas parcerias institucionais, como a criação de uma plataforma nacional de documentação de povos quilombolas e de terreiros, desenvolvida com apoio da Universidade de Brasília (UnB). Outro destaque foi o lançamento de uma cartilha sobre direitos e combate ao racismo.
O reconhecimento da Baixa da Xanda reforça o papel do Amazonas na preservação das heranças afro-brasileiras na região Norte. A comunidade, ligada à história do Boi Garantido — um dos maiores símbolos culturais de Parintins —, representa não apenas um território, mas uma memória viva de resistência, cultura e ancestralidade.
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