TCE cobra devolução de R$ 1,7 milhão gasto em obra abandonada da Cidade Universitária prometida por Omar Aziz
Para muitos amazonenses, a obra da Cidade Universitária se tornou um dos maiores exemplos de descaso com o dinheiro público.
- Foto: Reprodução
Notícias do Amazonas – O que deveria ter sido um dos maiores legados educacionais do Amazonas se transformou em um símbolo de desperdício de recursos públicos, abandono e promessas políticas não cumpridas. A Cidade Universitária da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), lançada em 2012, durante o governo de Omar Aziz (PSD), em Iranduba, a apenas 27 quilômetros de Manaus, volta a ser alvo de questionamentos jurídicos e políticos mais de uma década depois de seu início.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) determinou recentemente a devolução de mais de R$ 1,7 milhão aos cofres públicos devido a irregularidades na execução da obra. A decisão foi publicada no Acórdão nº 2621/2023, divulgado no Diário Oficial Eletrônico do TCE em 26 de janeiro de 2024, e aponta indícios de superfaturamento, falhas graves e má gestão dos recursos.
Responsáveis condenados
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De acordo com o documento, a então secretária de Estado de Infraestrutura, Waldivia Ferreira Alencar, e a empresa EDEC Engenharia, Construção e Comércio Ltda., foram condenadas a devolver R$ 1.224.575,81 milhões. Já o fiscal da Seinfra na época, Emerson Redig de Oliveira, em conjunto com a mesma empresa, terá de ressarcir R$ 595.235,46.
Além disso, foram aplicadas multas individuais de R$ 21.920,64 a Waldivia, Emerson e à EDEC. Caso não efetuem os pagamentos, os nomes podem ser incluídos em dívida ativa estadual e até sofrer protestos judiciais.
O TCE determinou ainda que cópia da decisão seja enviada ao relator das contas do governo, para que cobre do Estado informações sobre quais medidas serão tomadas em relação à obra inacabada.
Um gigante de concreto abandonado
A Cidade Universitária foi apresentada em 2012 como um projeto ousado, avaliado inicialmente em R$ 300 milhões, com promessa de transformar a educação superior no Amazonas. O campus deveria abrigar mais de 2 mil alunos, oferecendo estrutura moderna para ensino, pesquisa e extensão.
No entanto, o que se vê hoje é um canteiro abandonado em meio à mata, com ruínas, materiais de construção deteriorados e estruturas tomadas pelo tempo. Estima-se que mais de R$ 50 milhões já tenham sido gastos na obra, sem que a população tenha recebido qualquer benefício concreto.
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O símbolo do fracasso da gestão pública
Para muitos amazonenses, a obra da Cidade Universitária se tornou um dos maiores exemplos de descaso com o dinheiro público. A imagem do terreno abandonado em Iranduba reflete não apenas o desperdício de recursos, mas também a falta de compromisso político com projetos de longo prazo.
Estudantes e professores da UEA afirmam que o projeto poderia ter revolucionado o ensino superior no estado, integrando diversas áreas do conhecimento em um único espaço. Mas, em vez disso, a promessa se transformou em um monumento à corrupção, ao superfaturamento e à impunidade.
Velho discurso
Omar Aziz, que atualmente é pré-candidato ao governo do Amazonas nas eleições de 2026, voltou a utilizar, em entrevistas, a proposta de retomar a criação da Cidade Universitária no Amazonas como uma de suas bandeiras políticas. A retórica, no entanto, reacende críticas e indignação por parte da população e de especialistas, que lembram que o mesmo projeto já gerou um enorme prejuízo aos cofres públicos durante o período em que Aziz foi governador do estado (2010–2014).
“Pretendo, se Deus me permitir [se eleito retomar o projeto da Cidade Universitária]. Mas não é para mim é para outras gerações”, disse o político em entrevista ao site Amazonas Atual. O senador ainda comparou o projeto ao longo processo de consolidação da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), dizendo que “ninguém conclui uma universidade desse porte em dois ou três anos”.
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