Agosto mantém baixos índices de queimadas após semana crítica
Dados do Inpe indicam melhor resultado desde 2019.
- Foto: Divulgação
Notícias do Brasil – Dados recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apontam que agosto de 2025 registrou uma redução significativa nos focos de queimadas em praticamente todo o território brasileiro, contrariando a tendência de aumento observada nos últimos anos. Segundo o Programa Queimadas, até o dia 22 de agosto, o país contabilizou o menor número absoluto de ocorrências desde 2019, com uma queda de 59% em relação ao mesmo período de 2024.
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Entre os estados, apenas nove apresentaram aumento nos registros: Amapá, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rondônia, Rio Grande do Sul e Sergipe. Apesar disso, apenas Bahia, Piauí e Rio Grande do Sul ultrapassaram a marca de mil focos. Mato Grosso, tradicionalmente um dos estados com maior número de queimadas, registrou 5.760 ocorrências, representando uma queda de 69% em relação ao ano anterior e seu segundo melhor resultado na série histórica do INPE, atrás apenas de 2011.
O retorno das chuvas no inverno é apontado como fator principal para a redução das queimadas, além de um menor uso do fogo para preparação de terrenos, especialmente na Amazônia. Dados do Mapbiomas já indicavam em julho que o Cerrado foi o bioma mais afetado, com 1,2 milhão de hectares queimados, representando metade da área total atingida pelo fogo no país. A Amazônia, por sua vez, teve 1,1 milhão de hectares queimados no período entre janeiro e julho, o menor volume desde 2019.
Em São Paulo, a primeira quinzena de agosto registrou queda de 75% nos focos em comparação com 2024. O estado manteve equipes de prontidão desde o início da estiagem, investiu em monitoramento contínuo e treinamentos de brigadistas, garantindo resposta rápida às ocorrências. Entre os dias 1º e 15 de agosto, foram contabilizados 148 focos, contra 548 no mesmo período do ano anterior. Apesar da melhora, regiões do centro, norte e noroeste paulista permanecem em alerta devido ao risco elevado de queimadas. A umidade relativa do ar, que chegou a 11% em cidades como Ituverava, deve começar a subir nos próximos dias, ajudando a reduzir os riscos.
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Entretanto, nem todos os estados registraram melhora. Segundo o Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas (ANA), a seca se intensificou em 14 unidades da federação, incluindo Alagoas, Acre, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo. Apenas Amazonas e Sergipe apresentaram abrandamento do fenômeno, enquanto Amapá e Mato Grosso permanecem livres da seca. Roraima deixou de registrar seca devido às chuvas acima da média. A Caatinga nordestina, por outro lado, voltou a apresentar Seca Extrema, segundo pior índice do monitor.
Especialistas apontam que a combinação de políticas públicas, monitoramento satelital e conscientização ambiental tem contribuído para a redução geral das queimadas. Mesmo assim, os dados alertam para a necessidade de ações contínuas, especialmente em áreas vulneráveis e biomas que ainda apresentam aumento de focos, como Pampa e Caatinga.
O panorama demonstra que esforços de prevenção, resposta rápida e monitoramento podem gerar resultados significativos, mas reforça a necessidade de investimentos contínuos em políticas ambientais e educação sobre o uso sustentável do fogo no Brasil. A tendência nos próximos meses será acompanhada de perto por órgãos ambientais e governos estaduais, com atenção especial à umidade do ar, temperaturas e períodos críticos do calendário de queimadas.

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