Venezuela adverte EUA sobre possível ataque e promete ser “pesadelo” para Washington
Governo norte-americano enviou tropas para o Caribe.
- Foto: EPA/Miguel Gutierrez/Agência Lusa
Notícias do Mundo – O clima de tensão entre Venezuela e Estados Unidos voltou a se intensificar nesta semana após duras declarações da vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez. Em discurso realizado no estado de Carabobo, durante uma jornada de alistamento voluntário da população para a defesa nacional, Rodríguez afirmou que um eventual ataque militar norte-americano contra o país sul-americano resultaria em uma “calamidade” e um “pesadelo” para os EUA.
“Seremos a sua calamidade, o seu pesadelo e isso significará também a instabilidade de todo o continente. Por isso, o apelo é à paz. Acalmem-se, senhores falcões dos Estados Unidos. Acalmem-se, tranquilizem-se, porque vão causar um grande dano ao seu próprio país”, declarou a vice-presidente, em tom desafiador.
A fala ocorreu no contexto do envio de forças militares norte-americanas para o Caribe, oficialmente sob o argumento de realizar uma operação contra o narcotráfico. Caracas, no entanto, acusa Washington de utilizar essa justificativa como pretexto para preparar uma intervenção armada e tentar se apoderar dos recursos naturais da Venezuela, que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
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Mobilização popular e defesa da soberania
Rodríguez ressaltou que o país está unido e mobilizado em defesa de sua soberania. “Estamos prontos para defender a Venezuela em união nacional, em paz e tranquilidade, para garantir o nosso futuro. Os que estão a pensar no Norte [nos EUA], aqueles que estão a pensar numa agressão militar à Venezuela, saibam que isso vai correr muito mal”, disse.
A vice-presidente também destacou que o alistamento voluntário de trabalhadores da indústria de hidrocarbonetos simboliza a determinação do país em proteger seus recursos estratégicos. Ela recordou o episódio de 2002, quando a paralisação da estatal PDVSA durante 62 dias, no contexto do golpe de Estado contra o então presidente Hugo Chávez, causou perdas superiores a US$ 25 bilhões.
Acusações contra os EUA
Segundo Rodríguez, a acusação norte-americana de que a Venezuela se transformou em um “narcoestado” faz parte de um padrão histórico de calúnias utilizadas para justificar intervenções militares em países com grande potencial energético ou mineral.
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“A questão do arquiteto do ‘narcoestado’ é simplesmente uma grande calúnia, mas não é nova. É um padrão histórico para intervir em países que não lhes são próximos. Intervir em países quando lhes interessa roubar os recursos materiais desses países”, afirmou.
Ela acrescentou que o bloqueio econômico imposto por Washington nos últimos anos provocou severas dificuldades internas, incluindo uma migração forçada de venezuelanos em busca de melhores condições de vida. “O que significou o bloqueio econômico: uma migração econômica e induzida. O povo venezuelano nunca tinha migrado, partiu sob o pretexto de procurar novos horizontes materiais, uma esperança econômica. E já sabemos o que aconteceu: rejeição, xenofobia, discriminação no trabalho”, disse.
Maduro acusa violação de tratado internacional
As declarações da vice-presidente foram reforçadas pelo presidente Nicolás Maduro, que acusou os Estados Unidos de violarem o Tratado de Tlatelolco, de 1967. O acordo estabeleceu a América Latina e o Caribe como zonas livres de armas nucleares.
Segundo Maduro, o envio de navios lança-mísseis e fuzileiros navais para a região configura não apenas uma ameaça à Venezuela, mas também ao equilíbrio de segurança de todo o continente. “É uma provocação aberta e um desrespeito aos compromissos internacionais assumidos”, afirmou.
Recuperação econômica e resistência interna
Apesar da pressão externa e das dificuldades impostas pelas sanções, Rodríguez destacou que a Venezuela registra sinais de recuperação econômica, com 17 trimestres consecutivos de crescimento. Para ela, esse resultado demonstra a resiliência do povo e a capacidade do país de enfrentar o bloqueio econômico.
“O que aconteceu aos EUA é pior. Vai ser pior para eles se se atreverem a uma agressão, vai ser muito pior”, reforçou, em referência às consequências de um eventual conflito militar.
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