Presidente da China, Xi Jinping defende ideia de criar novo ‘sistema de governança global’
Cidade de Tianjin, na China, sediou nesse final de semana a cúpula de Xangai, que contou com a participação de líderes mundiais.
- Foto: Xinhua
Notícias do Mundo – A cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), realizada em Tianjin entre os dias 31 de agosto e 1º de setembro, terminou com um discurso do presidente da China, Xi Jinping, repleto de promessas de uma “nova governança global mais justa e equitativa”. No entanto, por trás da retórica diplomática, o encontro reforçou uma agenda cada vez mais centralizada em torno dos interesses chineses e na consolidação de um bloco de países que se aproximam mais por conveniência política e necessidade econômica do que por valores compartilhados.
Xi apresentou sua visão de um mundo “multipolar, igualitário e ordenado”, em oposição ao modelo ocidental de liderança, sobretudo o dos Estados Unidos. Ao lado de líderes como Vladimir Putin, da Rússia, e Narendra Modi, da Índia, o mandatário chinês tentou projetar a imagem de mediador global. Porém, ao mesmo tempo em que fala em “cooperação solidária”, sua política externa tem se caracterizado por práticas que ampliam a dependência financeira de países em desenvolvimento e aumentam a influência geopolítica de Pequim.
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Retórica do “multilateralismo verdadeiro”
No discurso de encerramento, Xi Jinping pediu que os países membros da OCX defendam uma globalização inclusiva e trabalhem por um sistema internacional mais equilibrado. O discurso, em tom conciliador, busca criar contraste com o modelo norte-americano, frequentemente acusado por Pequim de promover unilateralismo e hegemonia.
Porém, críticos apontam que a visão chinesa de “multilateralismo” está longe de ser inclusiva. Na prática, a China tem usado fóruns multilaterais para expandir sua rede de influência, oferecendo pacotes financeiros e empréstimos que deixam parceiros altamente endividados, como já aconteceu em países da África e da Ásia no contexto da Iniciativa do Cinturão e Rota.
A promessa feita durante a cúpula de liberar 2 bilhões de yuans em subsídios aos membros da OCX, além de 10 bilhões de yuans em empréstimos para bancos da região, é mais um exemplo da diplomacia baseada em crédito fácil. Essa estratégia garante fidelidade política e cria laços econômicos difíceis de romper, ainda que disfarçados sob o discurso de “solidariedade e benefício mútuo”.
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Aproximação com regimes autoritários
Outro ponto crítico do encontro foi a proximidade da China com governos de perfil autoritário. Além de Putin, que enfrenta duras sanções internacionais por causa da guerra na Ucrânia, a OCX reúne países como Irã e Bielorrússia, que também são alvo de críticas da comunidade internacional por violações de direitos humanos e repressão política.
Ao se posicionar como líder desse bloco, Xi Jinping acaba consolidando uma espécie de “aliança paralela” ao sistema internacional tradicional, marcada pela cooperação entre regimes que compartilham mais a desconfiança do Ocidente do que uma visão genuína de democracia e liberdade. Essa postura mina a credibilidade do discurso chinês sobre justiça e equidade, já que ignora os valores universais de direitos humanos em prol de conveniências geopolíticas.
Contradições internas e externas
Enquanto Xi Jinping defende uma governança global mais justa, dentro da própria China aumentam as críticas sobre censura, repressão a minorias étnicas e restrição às liberdades civis. A perseguição a dissidentes políticos, jornalistas e acadêmicos contrasta diretamente com a narrativa de abertura e cooperação pregada no cenário internacional.
Externamente, Pequim tenta ocupar o espaço deixado por uma ordem internacional em crise, mas suas práticas demonstram que o objetivo é ampliar o controle econômico e estratégico sobre regiões-chave. A guerra comercial com os Estados Unidos, mencionada durante a cúpula, mostra que a disputa não é apenas por mercados, mas por liderança global.
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