‘Sofro todos os dias’: Mãe do sargento Lucas quebra o silêncio após 4 anos do assassinato do filho
Livânia abriu o coração e expôs a dor da família, a insatisfação com a Justiça e a luta para responsabilizar os assassinos.
- Lucas Ramon Guimarães e a mãe Livânia Maria Silva Guimarães. – Foto: Arquivo pessoal Livânia
Notícias de Manaus – Passados quatro anos do assassinato do sargento do Exército Lucas Ramon Silva Guimarães, sua mãe, Livânia Maria Silva Guimarães, ainda vive a angústia da perda e da espera por justiça. Em entrevista exclusiva ao AM POST, ela relatou como a família enfrenta diariamente impacto causado pelo crime, além de criticar o poder judiciário sobre o caso.
O sargento Lucas foi morto a tiros em 1º de setembro de 2021 dentro de sua própria cafeteria em Manaus. O executor, Silas Ferreira da Silva, confessou ter sido contratado por R$ 65 mil pelo empresário Joabson Agostinho Gomes, dono da rede Supermercado Vitória, que teria agido motivado por um suposto caso extraconjugal de Lucas com sua esposa, Jordana Azevedo Freire.
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Apesar da investigação policial ter identificado os autores e o pistoleiro ter se declarado réu confesso, a família critica a condução do processo judicial. “A justiça julgou na primeira instância através do juiz Fábio Alfaia que não havia provas suficientes. O Ministério Público recorreu e os advogados e nós estamos aguardando o julgamento do processo na segunda instância e esperando que todos sejam encaminhados a júri”, desabafou Livânia.
Segundo ela, a percepção da sociedade é clara sobre o caso: “Para nossa família e a sociedade de Manaus não há dúvidas de que meu filho foi morto a mando do Joabson. Um crime torpe por causa de um casal que não soube resolver seus problemas conjugais”.
A mãe conta que a dor diária é os impactos emocionais em toda a família. “Sofro todos os dias por causa da maldade desse casal. Os envolvidos no crime são todos criminosos, é fato! Os prejuízos emocionais por essa perda são grandes para meus netos e familiares. Foi quem ele atingiu matando meu filho. Não sei se resolveu seus problemas conjugais, mas uma coisa ele conseguiu: mostrar a pessoa covarde e perversa que é. Entrego a Deus todos os dias esse processo. Sei que a justiça virá! Deus não falha! Meu filho está em paz, eles não. E todos prestarão conta diante de Deus, eu creio”.
O processo, que já passou por idas e vindas, tem gerado incerteza. Para Livânia, há uma tentativa de manipulação. “Estamos trazendo esse assunto em pauta novamente para sensibilizar a justiça, isso é muito importante. A gente sabe que as pessoas que têm um poder aquisitivo maior, elas impõem isso, como se elas pudessem manipular a justiça”.
Ela cita até uma fala de um dos envolvidos como prova da preocupação da família. “Uma das coisas que o Silas colocou no depoimento dele, inclusive num telejornal, foi que o Romário (Vinente Bentes), quem agenciou o crime, disse que o tio tinha muito dinheiro para ninguém ficar preso. Então, é uma preocupação nossa, porque as pessoas ficam dizendo isso: ‘ah, não vai ficar preso, porque tem dinheiro, vai dar um jeito de sair’. Infelizmente é o que a gente vai assistindo”.
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A mãe relembra que o pistoleiro não apenas confessou, como detalhou o planejamento. “O Silas foi um réu confesso, ele confessou o crime, deu detalhes do planejamento. Foi um crime clássico de mando, dentro da literatura criminal, clássico mesmo, com planejamento, com tudo. Planejaram meu filho morrer no dia primeiro, porque a missa de sétimo dia seria no aniversário dele. Isso me chocou profundamente, no dia do aniversário do meu filho, 7 de setembro, eu estava na missa dele de sétimo dia. Foi muita perversidade, muita maldade”.
A revolta da família também recai sobre Jordana, esposa de Joabson. “Peço a Deus e suplico a Justiça da Terra que faça justiça, para que esse homem não faça isso mais com ninguém. Ele é uma pessoa muito perversa, e para mim, a esposa dele também não fica abaixo dele não. É ao lado dele. Eles estão juntos por isso, porque são dois perversos”, afirma.
Livânia destaca que sua luta não é apenas por seu filho, mas por muitas mães que vivem a mesma dor. “Eu me coloco junto das mães que perderam seus filhos dessa forma. Hoje eu entendo essa dor. Acho que o meu grito por justiça também é um grito que pede justiça pelos outros filhos das mães que perderam seus filhos assim, por motivo torpe, por desentendimentos, por pura maldade, pura covardia”.
Enquanto a família revive a cada ano a dor da perda, o processo continua em tramitação nas instâncias judiciais. O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) recorreu das decisões que livraram alguns acusados do Tribunal do Júri, e ainda aguarda julgamento definitivo.
“Eu continuo acreditando que a Justiça da Terra vai se mover, mas sobretudo confio na Justiça de Deus, que nunca falha”, finalizou.
Redação AM POST
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