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Tagliaferro acusa Alexandre de Moraes de fraudar relatórios em operação contra empresários bolsonaristas

Ex-assessor do TSE disse que relatórios para justificar a ação em 2022 foi feito retroativamente.

Por Natan AMPOST

03/09/2025 às 10:35

Notícias do Brasil – O ex-assessor Eduardo Tagliaferro, que trabalhou diretamente com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez uma acusação grave nesta terça-feira (2), durante sessão da Comissão de Segurança Pública do Senado. Segundo ele, o gabinete do ministro teria fraudado relatórios para justificar a operação de busca e apreensão realizada em 2022 contra um grupo de empresários bolsonaristas.

As declarações de Tagliaferro foram dadas de forma remota e ocorrem em um momento politicamente sensível, no mesmo dia em que teve início a fase final do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de tentativa de golpe de Estado, em processo relatado justamente por Moraes.

Leia também: Ex-vereador de Manacapuru, Jucimar da Silva, é alvo de pedido de prisão na CPMI do INSS

A comissão é presidida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e conta com forte presença de aliados do ex-presidente, o que ampliou a repercussão política da denúncia.

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Relatório teria sido fabricado

Tagliaferro afirmou que o documento usado para fundamentar a decisão de Alexandre de Moraes não surgiu de uma investigação formal, mas de uma montagem feita dentro do próprio gabinete.

— Esse documento que foi apresentado por Alexandre de Moraes para justificar e dizer que existia uma investigação preliminar para a busca e apreensão, foi confeccionado por mim, a pedido de Airton Vieira, que não sabia mexer com computador. Isso chegou às minhas mãos por acaso, Moraes nem sabia que Airton Vieira tinha me passado. Airton me pediu para não falar nada — declarou o ex-servidor.

Na época, Tagliaferro atuava como chefe de gabinete na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), durante a gestão de Moraes à frente da Corte.

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Suposto vazamento à imprensa

Outro ponto levantado pelo ex-assessor diz respeito ao vazamento de mensagens privadas do grupo de WhatsApp dos empresários. Segundo ele, Moraes teria repassado o conteúdo a um veículo de comunicação de Brasília, que publicou a reportagem em agosto de 2022, no auge da campanha eleitoral.

As mensagens mostravam empresários bolsonaristas discutindo a possibilidade de um golpe militar e criticando a volta do PT ao poder. Em uma das conversas, um dos participantes afirmava que “preferia um golpe do que a volta do PT”. Outro dizia que a ruptura deveria ter acontecido em 2019, no início do governo Bolsonaro.

Tagliaferro sugere que o ministro utilizou a reportagem como justificativa inicial para ordenar as buscas. Após críticas, teria acrescentado novos fundamentos ao documento, mas somente depois de a operação já ter sido executada.

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Contexto político

A operação contra os empresários ocorreu em 17 de agosto de 2022, quando Jair Bolsonaro buscava a reeleição. Naquele período, a narrativa de que as urnas eletrônicas poderiam ser fraudadas era difundida constantemente pelo então presidente e repetida por aliados.

As mensagens reveladas à época mostraram que parte do empresariado alinhado ao bolsonarismo cogitava uma ruptura democrática. O episódio serviu de base para reforçar a atuação do Judiciário contra grupos que, segundo Moraes, atentavam contra a democracia.

Agora, com a denúncia de Tagliaferro, senadores da oposição apontam que a operação pode ter se sustentado em documentos irregulares, levantando questionamentos sobre a legalidade das decisões tomadas pelo STF.

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Repercussão no Senado

Durante a sessão, parlamentares bolsonaristas deram destaque às declarações do ex-assessor. Flávio Bolsonaro afirmou que as revelações reforçam a necessidade de se investigar possíveis abusos cometidos pelo Supremo.

A senadora Damares Alves (Republicanos) afirmou que “o magistrado tinha que estar preso hoje”.

“Aquele julgamento está contaminado, as provas estão contaminadas. Qualquer estudante de direito sabe que tem que interromper aquele julgamento hoje. Pessoas foram acusadas, buscas e apreensões foram feitas, pessoas foram presas com provas falsas, provas forjadas por um magistrado. Esse magistrado tinha que ser preso hoje.”

Damares também fez apelo ao presidente do STF, Luís Roberto Barroso. “Eu tenho diferenças com o Barroso, mas ele é um jurista sério. Ele teria que interromper esse julgamento hoje. O Brasil precisa ver o que nós estamos vendo aqui. Barroso tem que ter acesso a esse material hoje e tem que tomar uma providência”, disse.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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