Ex-assessor de Alexandre de Moraes diz ter enviado aos EUA material que acusa ministro de fraude
Em entrevista, Tagliaferro disse que, com base nos documentos enviados, mais pessoas poderão ser sancionadas.
- Agência Senado
Notícias do Brasil – O ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Eduardo Tagliaferro, afirmou nesta quarta-feira (3/9) que enviou aos Estados Unidos um material que, segundo ele, comprova que o gabinete de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teria fraudado relatórios para justificar uma operação contra empresários bolsonaristas em 2022.
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Em entrevista, Tagliaferro disse que, com base nos documentos enviados, mais pessoas poderão ser sancionadas.
“Todo o material foi encaminhado ao governo dos Estados Unidos e já está aqui em andamento no Parlamento europeu. Eu não tive resposta ainda (dos EUA). O que eu tive de resposta é que, com base nisso, mais pessoas serão sancionadas”, declarou.
A declaração de Tagliaferro acrescenta um novo capítulo às acusações envolvendo ações do TSE contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro durante o processo eleitoral de 2022, e indica que a repercussão internacional do caso está em andamento.
Depoimento detalha origem das mensagens
Em seu depoimento aos senadores da Comissão de Segurança Pública, Tagliaferro explicou que, em 17 de agosto de 2022, durante a campanha em que Bolsonaro buscava a reeleição, um site de notícias de Brasília publicou mensagens trocadas por empresários bolsonaristas. Entre elas:
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Um empresário afirmou preferir “um golpe do que a volta do PT”;
Outro reagiu com uma figurinha de joinha;
Um terceiro disse que “o golpe teria que ter acontecido nos primeiros dias de governo [Bolsonaro], [em] 2019; teríamos ganhado outros 10 anos a mais”.
Segundo Tagliaferro, essas mensagens privadas estavam, originalmente, em posse do gabinete de Moraes no TSE, embora ele não tenha esclarecido como os prints chegaram ao gabinete nem por quais mãos circularam antes de serem oferecidos à imprensa. Ele também afirmou que tentou, primeiro, repassar as imagens para uma emissora de notícias, que não deu resposta sobre a publicação.
Ação da Polícia Federal
Em 19 de agosto de 2022, Moraes determinou que a Polícia Federal realizasse buscas e apreensões nos endereços dos empresários, além de bloquear contas bancárias e redes sociais, colher depoimentos e quebrar sigilos bancários.
No dia 23 de agosto, a PF cumpriu as ordens, apreendendo computadores e outros materiais nos endereços dos empresários. Os oito empresários passaram a ser investigados como possíveis integrantes de um “núcleo financeiro” de apoio a atos antidemocráticos, com base nas mensagens e nas atividades suspeitas detectadas.
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