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PF investiga saques de R$ 101 milhões em esquema de propina no Pará

. As apurações fazem parte da operação Expertise, que mira desvios em contratos que totalizam R$ 198 milhões e suspeita de pagamento de propina a servidores públicos.

Por Hugo Guimarães

05/09/2025 às 13:12 - Atualizado em 05/09/2025 às 13:14

Foto: Divulgação/PF

Notícias do Pará – A Polícia Federal (PF) investiga saques que somam R$ 101 milhões em espécie ligados a contratos milionários fraudulentos em municípios do Pará, envolvendo recursos destinados à Saúde e Educação. As apurações fazem parte da operação Expertise, que mira desvios em contratos que totalizam R$ 198 milhões e suspeita de pagamento de propina a servidores públicos.

Segundo relatório da PF, com base em informações do Conselho de Controle de Atividade Financeira (Coaf), a empresa Líder Engenharia movimentou R$ 198,3 milhões entre 2018 e 2025. Do total, R$ 101,7 milhões foram sacados em espécie, principalmente por Jacélio Faria da Igreja, sócio da Líder, e Alberto Furtado Pinheiro, sócio das empresas Brasil Brasil e Fortes Comércio. Ambos tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça.

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“As operações carecem de qualquer motivação operacional legítima e apontam para indícios de lavagem de capitais e ocultação patrimonial”, aponta o relatório do Coaf. Questionada, a defesa de Jacélio afirmou que “relatórios do Coaf têm aptidão para atestar movimentações atípicas, mas tal atipicidade não representa automaticamente uma ilegalidade”.

Como funcionava o esquema

De acordo com a investigação, o esquema começou com contratos milionários fraudulentos firmados entre empresas investigadas e órgãos públicos do estado, como a Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), o Detran e a Polícia Científica. Processos licitatórios eram direcionados a determinadas empresas, e pagamentos milionários eram realizados mesmo sem execução do objeto contratual.

Na última etapa, valores eram sacados em espécie das contas das empresas ou de pessoas a elas associadas e repassados diretamente a autoridades públicas. “Há também a transferência direta entre contas vinculadas a empresas investigadas e autoridades públicas”, detalha a decisão judicial que autorizou a operação.

Segundo a PF, os repasses eram realizados “sem qualquer justificativa contratual ou funcional compatível, indicando possível prática de corrupção ativa por parte da empresa e corrupção passiva por parte dos servidores beneficiados, além de peculato e associação criminosa”.

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Entre junho e julho de 2025, somente, foram retirados quase R$ 10 milhões em espécie das contas das empresas investigadas. O último saque, de R$ 477.850,00, ocorreu em 22 de julho de 2025, evidenciando a continuidade dos contratos fraudulentos e o pagamento de propina, segundo a Justiça Federal.

Operação Expertise

A operação cumpriu 18 mandados de busca e apreensão, bloqueou ativos, afastou sigilo bancário e fiscal de 17 investigados, além de decretar prisão preventiva de cinco pessoas em Belém e Marituba. Também houve afastamento de seis servidores públicos, monitoramento eletrônico de uma pessoa e suspensão das atividades econômicas de quatro empresas investigadas.

Segundo a PF, o esquema envolvia empresários, servidores públicos e empresas de fachada, com direcionamento de licitações, simulação ou execução parcial de contratos, repasses vultosos de recursos públicos e saque em espécie para redistribuição entre os integrantes da organização criminosa. Durante as buscas, foram apreendidos joias e dinheiro em espécie.

Defesa e posicionamento

A defesa de Jacélio Faria da Igreja negou irregularidades, afirmando que “o Sr Jacélio não cometeu nenhum ato de corrupção, muito menos precisou de qualquer favorecimento para obter qualquer contratação da Líder fora dos ditames legais”.

O governo do Pará, o Detran e a Polícia Científica informaram não ter conhecimento sobre os fatos investigados. A Alepa, as empresas citadas e a defesa de Alberto Furtado não se manifestaram até o momento.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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