CPMI do INSS ouve Carlos Lupi em meio a desgaste político
Ex-ministro da Previdência deixou o cargo após operação da PF que revelou fraudes em descontos de aposentados e pensionistas.

Foto: © Lula Marques/Agência Brasil
Notícias de política – A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ouve nesta segunda-feira (8/9) o ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi, que comandou a pasta entre janeiro de 2023 e maio de 2025. O depoimento está marcado para as 16h.
Lupi pediu demissão em 2 de maio, cerca de duas semanas após a Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investigou cobranças indevidas em folhas de pagamento de aposentados e pensionistas. O escândalo levou à queda do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e culminou na saída do ministro.
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Fraudes bilionárias
As irregularidades foram reveladas por uma série de reportagens do Metrópoles a partir de 2023. Segundo a apuração, associações de aposentados passaram a registrar milhares de filiações fraudulentas e a cobrar mensalidades diretamente no benefício dos segurados, gerando R$ 2 bilhões em arrecadação em um ano.
O caso passou a ser investigado pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal. No pedido de abertura da operação, a PF citou 38 matérias do portal como base das apurações.
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Embora não tenha sido citado diretamente na investigação, Lupi foi pressionado por sua postura diante das denúncias e de alertas da CGU. Para aliados do governo, a demora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em substituí-lo gerou desgaste político, já que a saída partiu de um pedido do próprio ministro.
O requerimento para a oitiva de Lupi foi feito pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), que considera o ex-ministro peça-chave para esclarecer medidas tomadas ou não pelo governo frente às denúncias.
Na última sessão da comissão, o deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) fez duras críticas ao ex-ministro, acusando-o de prevaricação:
“O ministro Lupi disse numa comissão que sabia dos roubos contra os aposentados. Ele prevaricou. Vai vir aqui e vai levar um cacete”, declarou o parlamentar.
Esta foi a segunda vez que Carlos Lupi deixou um ministério sob suspeita. Em 2011, no governo Dilma Rousseff (PT), renunciou ao cargo de ministro do Trabalho após denúncias de uso indevido de verbas públicas.
No governo Lula, reassumiu um ministério mais de uma década depois, mas sua gestão à frente da Previdência foi marcada por polêmicas. Indicou dois presidentes para o INSS — Glauco Wamburg e Alessandro Stefanutto —, ambos afastados após denúncias de irregularidades.
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