Cantigas medievais revelam que “-ão” e “-ãe” eram pronunciados como hiatos
Estudo em cantigas galego-portuguesas mostra que ditongos nasais eram pronunciados com duas sílabas na Idade Média

Cantigas medievais revelam que “-ão” e “-ãe” eram pronunciados como hiatos – Foto: freepik
Curiosidades – Pesquisadoras da Unesp analisaram 250 cantigas medievais em galego-português, compostas entre os séculos 13 e 15, e usaram a métrica poética para desvendar como eram pronunciados os ditongos nasais “-ão” e “-ãe”. A conclusão? Eles eram tratados como hiatos, ou seja, pronunciados em duas sílabas, ao contrário do que ocorre hoje.
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A importância do hiato para o ritmo dos versos
No português falado atualmente, palavras como “mão” e “cão” formam ditongos monocilábicos. Mas na época, eram pronunciadas como “mã-o” ou “cã-o”, com clareza distinta em cada vogal — um ritmo que encaixava perfeitamente na métrica fixa das cantigas, sem “tropeços”.
O papel do til na escrita medieval
Naqueles tempos, o til (~) não indicava nasalidade, mas era usado para abreviar letras — por exemplo, “re” substituindo “r+e”. Com o tempo, essa marca passou a representar sons nasais na escrita, incorporando-se à evolução fonética da língua.
Por que isso importa hoje?
De acordo com o Portal Superinteressante, esse achado histórico auxilia no ensino de português como língua estrangeira, pois ajuda a entender por que falantes de outras línguas têm dificuldade com ditongos nasais. Também ilumina a evolução fonológica do português moderno.
Por: Mayara Leite – Redatora Seo On
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