Vereadora é alvo de críticas após homenagear advogado condenado por tentativa de feminicídio
A decisão de homenageá-lo gerou indignação na mãe da vítima, que chamou a atitude de “afronta à justiça e às mulheres”.
- Foto: divulgação
Notícias de Política – Uma homenagem promovida pela vereadora Professora Jacqueline na Câmara Municipal de Manaus gerou revolta na família de uma vítima de violência. O advogado Marcelo Gonçalves de Oliveira, condenado a 10 anos e 11 meses de prisão em regime fechado por tentativa de feminicídio contra sua ex-namorada em 2021, foi incluído na lista de homenageados pelo Dia do Advogado no dia 3 de setembro.
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O episódio ganhou repercussão porque, apesar da condenação em novembro de 2024, Marcelo Gonçalves ainda não teria cumprido nenhum dia da pena e permanece em liberdade, sem tornozeleira eletrônica. A decisão de homenageá-lo gerou indignação na mãe da vítima, Teresa Victória, que divulgou uma carta aberta chamando a atitude de “afronta à justiça e às mulheres”.
“Como pode um réu condenado por tentativa de feminicídio ser considerado exemplar? Este não é apenas o meu grito de dor como mãe, mas um apelo por justiça, transparência e responsabilidade das instituições que deveriam proteger as vítimas e não premiar os agressores”, escreveu Teresa, destacando ainda possíveis influências políticas, já que a mãe do condenado é juíza.
O crime
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Em 2021, Marcelo sequestrou a ex-namorada e tentou matá-la por estrangulamento em sua residência na Zona Leste de Manaus. A jovem só sobreviveu graças à intervenção de uma vizinha enfermeira, que prestou os primeiros socorros e a levou ao Hospital João Lúcio, onde foi internada na UTI. Durante o julgamento, a vítima relatou que sofria perseguição e ameaças antes das agressões.
O réu negou as acusações, mas foi condenado por júri popular. Além da pena de prisão, Marcelo Gonçalves de Oliveira deve pagar indenização equivalente a 20 salários mínimos à vítima.
O que diz a vereadora
Em pronunciamento ao Portal AM Post, a parlamentar afirma que desconhecia a existência do processo judicial envolvendo o advogado Marcelo Oliveira. Professora Jacqueline também declara que as homenagens foram feitas com base em indicações de entidades públicas e pede desculpas pelo epsódio.
“Quando a gente faz uma homenagem, a gente pede que encaminhem o nome de representantes da OAB. Então a OAB envia os nomes, representantes, mulheres, pessoas da categoria. Nós não temos competência para verificar a vida criminal das pessoas; isso seria até uma invasão de privacidade. Então imaginr no meio de 400 homenageados, 1 deles já ter sido condenado por um crime. Se isso aconteceu, não foi a intenção homenagear um agressor. Sempre participei de comissões da mulher e defendo a vida. Lamento muito esse episódio; eu agi de boa-fé, sempre buscando dar visibilidade à categoria. Eu até peço desculpas à sociedade e às pessoas; foi um grande constrangimento para mim.“
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