NASA desenvolveu um açúcar sem calorias, mas ele nunca foi comercializado
Glicose-L foi criada para missões espaciais, mas acabou ficando restrita a laboratórios.

NASA desenvolveu um açúcar sem calorias, mas ele nunca foi comercializado – Foto: freepik
Curiosidades – Nos anos 1960, o engenheiro Gilbert V. Levin, da empresa Spherix Inc., desenvolveu a glicose-L, uma versão da glicose comum que não é metabolizada pelo corpo humano. O projeto foi criado durante os preparativos para a missão Viking 1 da NASA, a primeira a realizar um pouso bem-sucedido em Marte. A ideia era sintetizar nutrientes que pudessem indicar a presença de vida extraterrestre por meio da liberação de dióxido de carbono radioativo, caso processados por microrganismos vivos.
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A missão Viking 1 e os testes de vida
Lançada em 1975, a missão Viking 1 tinha como objetivo analisar a superfície marciana e detectar sinais de vida. Levin propôs o uso de glicose-L e glicose-D radioativas para alimentar possíveis organismos. Se microrganismos consumissem o açúcar, o CO₂ radioativo liberado seria detectado pelos instrumentos da sonda. Por limitações técnicas, no entanto, a NASA acabou utilizando versões lactose-D e lactose-L, deixando a glicose-L fora da missão, mas deixando um legado científico importante.
Da glicose-L ao adoçante comercial
Apesar de nunca ter sido comercializada, a glicose-L inspirou pesquisas posteriores sobre adoçantes de baixa caloria. Levin percebeu que a tagatose-D, um açúcar presente em pequenas quantidades na natureza, possui propriedades semelhantes à glicose-L: é doce, mas fornece apenas cerca de 38% das calorias do açúcar tradicional. A Spherix desenvolveu um método de produção econômico, patenteado em 1988, que abriu caminho para adoçantes de baixo valor calórico, seguros para consumo humano e aprovados pela FDA, mas ainda não liberados pela Anvisa.
Impacto e legado científico
Segundo o Portal Superinteressante, o desenvolvimento da glicose-L mostra como pesquisas espaciais podem gerar descobertas inesperadas para a vida cotidiana. Embora nunca tenha chegado ao mercado, a substância é um exemplo de inovação científica que combina exploração espacial, bioquímica e alimentação, mostrando que experiências fora da Terra podem influenciar diretamente tecnologias e produtos aqui na Terra.
Por: Mayara Leite – Redatora Seo On
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