Múmias mais antigas do mundo são do Sudeste Asiático e China
Pesquisa mostra que antigos caçadores-coletores defumavam cadáveres há até 10.000 anos — muito antes das práticas de mumificação surgirem

Múmias mais antigas do mundo são do Sudeste Asiático e China – Foto: wikimedia
Curiosidades – Um estudo publicado na revista científica PNAS revelou uma descoberta que pode mudar a compreensão sobre as origens da mumificação. As múmias mais antigas já encontradas no mundo não estão no Egito ou no Chile, mas sim no Sudeste Asiático e no sul da China, onde caçadores-coletores defumavam cadáveres sobre fogueiras há cerca de 10.000 anos. A prática antecede em milênios os famosos processos de embalsamamento do Egito Antigo e as técnicas dos povos Chinchorro.
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Corpos preservados pela fumaça
Pesquisadores analisaram sepulturas antigas em países como China, Filipinas, Laos, Tailândia, Malásia e Indonésia. Muitos esqueletos em posição fetal apresentavam sinais claros de exposição à fumaça e ao calor de baixa intensidade. Diferentemente das múmias egípcias, que eram tratadas com resinas e envoltas em linho, essas eram preservadas por meio de um processo simples: os corpos eram amarrados, posicionados sobre fogueiras e defumados lentamente, mantendo-se intactos por décadas ou até séculos.
Segundo a arqueóloga Hsiao-chun Hung, da Universidade Nacional Australiana, a prática tinha significados espirituais: “A defumação provavelmente ia muito além da simples preservação do cadáver. Representava um ritual cultural profundo”.
Evidências científicas e paralelos modernos
A equipe utilizou técnicas como difração de raios-x e espectroscopia de infravermelho para comprovar que os ossos haviam sido aquecidos de maneira controlada, sem sinais de cremação completa. Os achados sugerem uma tradição funerária sofisticada em sociedades ainda pré-agrícolas.
Hung destaca que práticas semelhantes continuam vivas até hoje. Em 2019, pesquisadores acompanharam comunidades indígenas como os Dani e Pumo, em Papua (Indonésia), que ainda realizam a defumação dos mortos em rituais semelhantes aos descritos no estudo.
Uma nova visão sobre a história humana
Além de revelar práticas funerárias complexas, a descoberta oferece pistas sobre as primeiras migrações humanas. Os pesquisadores defendem o modelo de “duas camadas”: primeiro chegaram os caçadores-coletores com tradições distintas, seguidos por agricultores neolíticos cerca de 6.000 anos depois.
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Segundo a antropóloga Ivy Hui-Yuan Yeh, da Universidade Tecnológica de Nanyang, que não participou do estudo, os achados são consistentes com padrões iniciais de interação humana na Ásia.
Embora nenhuma dessas múmias tenha preservado pele ou tecidos moles, os especialistas reforçam que se trata de um processo intencional de mumificação. Diferente das múmias egípcias, essas eram transitórias, criadas para prolongar a presença física do falecido entre os vivos.
Amor, memória e devoção
De acordo com o Portal Aventuras na História, para Hung, mais do que uma inovação científica, os rituais revelam a profundidade da relação entre os vivos e seus mortos. “A prática prolongava a presença visível do falecido, permitindo que os ancestrais permanecessem entre os vivos de forma tangível. É um reflexo do amor humano duradouro, da memória e da devoção”.
Por: Mayara Leite – Redatora Seo On
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