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UFAM reposta vídeo editado da dissertação de Paula Litaiff que foi apagado após denúncia e gera indignação

Trabalho havia sido retirado do ar por denúncias de distorção de fontes e violação de direitos coletivos; impugnação ainda está em análise.

Por Natan AMPOST

25/06/2025 às 16:28 - Atualizado em 16/09/2025 às 16:54

Notícias de Manaus – A Universidade Federal do Amazonas (UFAM) voltou a disponibilizar em sua plataforma institucional o vídeo editado da dissertação de mestrado da jornalista Paula Litaiff, que havia sido removido temporariamente após denúncias feitas por lideranças indígenas do Parque das Tribos. O trabalho, intitulado “Violência Simbólica de Gênero no Parque das Tribos”, é alvo de uma impugnação formal ainda em tramitação.

A nova versão do material foi publicada no canal oficial do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA/UFAM), agora com 12 minutos e 50 segundos — mais longo que o original, que durava 11 minutos e 37 segundos.

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O primeiro vídeo havia sido removido no dia 25 de junho, após petição assinada pelos advogados Daniele Delgado Baré e Isael Munduruku, em nome da comunidade. A denúncia apontava distorções metodológicas, ausência de consentimento coletivo e ofensas à cultura indígena, além de acusar a pesquisadora de violar dispositivos da Convenção 169 da OIT.

A nova versão, no entanto, gerou ainda mais indignação entre juristas e lideranças indígenas, pois suprime visual e auditivamente o trecho mais sensível do vídeo: entre os minutos 4:57 e 6:13, onde Litaiff acusava diretamente o cacique Ismael Munduruku de praticar “violência simbólica de gênero”. Na versão editada, essa parte aparece com borrões na imagem, áudio distorcido e o nome do cacique substituído por uma expressão genérica — “uma das lideranças masculinas”.

Veja o trecho original que foi alterado:

Para o advogado Isael Munduruku, representante da comunidade indígena, a edição do vídeo não pode ser vista como uma simples correção técnica, mas sim como uma tentativa deliberada de encobrir os erros da pesquisa original. “A UFAM está tentando disfarçar as falhas graves da dissertação com maquiagem digital. Isso não é correção, é fraude acadêmica”, afirmou. Ele também reforça o pedido pela nulidade do título concedido a Litaiff e exige uma retratação formal da universidade.

“Se eu fosse os indígenas entraria com uma ação contra eles (Ufam)”, disse uma internauta. “Isso é um absurdo”, disparou outra.

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Entenda o caso

A decisão de remover inicialmente o vídeo partiu do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA/UFAM), como medida cautelar assinada pelo vice-coordenador Bruno de Oliveira Rodrigues. A medida foi tomada após a apresentação de uma denúncia pelos advogados Isael Munduruku e Danielle Baré, em nome do cacique Ismael Munduruku, que aparece citado na dissertação como suposto autor de “violência simbólica” contra mulheres da comunidade — alegação que ele nega.

Leia mais: UFAM remove dissertação de vice do Sindicato dos Jornalistas do AM após denúncia de indígenas; entenda o caso

O caso gerou forte repercussão após a indígena Maira Mura, apresentada como fonte direta no trabalho, vir a público desmentir seu envolvimento nas declarações atribuídas. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Maira afirmou: “Nunca disse a nenhum pesquisador que Ismael Munduruku se autodeclarou liderança”.

Mesmo com o vídeo novamente disponível, a controvérsia ainda não está encerrada. O caso continua em análise no colegiado do PPGSCA, que se reunirá em julho para decidir sobre a impugnação do título de mestre concedido a Paula Litaiff. A depender da decisão, o título poderá ser anulado, e medidas jurídicas adicionais poderão ser adotadas pela comunidade.

Outro lado

A reportagem do Portal AM POST tentou contato tanto com Paula Litaiff quanto com a Ufam mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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