Milicianos presos na Operação Militia no AM usaram identidade falsa de perito para ocultar extorsões, diz MP
O esquema funcionava por meio da criação de contas bancárias fraudulentas utilizadas para movimentar valores obtidos por extorsão.
- (Reprodução/AM POST)
Notícias do Amazonas – O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), em parceria com forças de segurança, deflagrou nesta quarta-feira, 17, a segunda fase da Operação Militia, que investiga um grupo criminoso formado por policiais e civis suspeitos de extorsão, falsidade documental e lavagem de dinheiro. Nesta etapa, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e efetuadas duas prisões: a de um policial militar reformado em Manaus e de um civil em Borba.
Segundo o promotor responsável pelo caso, Armando Gurgel, as prisões estão ligadas à investigação que, na primeira fase, resultou na detenção de nove policiais. Agora, as autoridades identificaram novos alvos ligados ao esquema, incluindo o uso fraudulento de dados de um perito da Polícia Civil.
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“Esse perito teve sua identidade falsificada para abertura de uma conta que serviu de passagem para valores extorquidos das vítimas. Desde o início, ficou claro que ele não tinha participação nos crimes e, inclusive, colaborou com a investigação”, explicou o promotor.
O esquema funcionava por meio da criação de contas bancárias fraudulentas utilizadas para movimentar valores obtidos por extorsão, segundo o MPAM. Os suspeitos usavam documentos falsificados e a identidade de terceiros, como no caso do perito, para receber depósitos sem serem identificados. A investigação aponta ainda que o policial militar reformado preso hoje tinha controle direto sobre uma dessas contas.
Apreensão crucial
Além das prisões, a operação mirou na apreensão de equipamentos eletrônicos, considerados cruciais para rastrear a movimentação financeira do grupo. “Hoje nós não conseguimos apreender nenhuma arma de fogo, mas recolhemos dispositivos eletrônicos que eram o principal objetivo da operação. A apuração atual foca na criação fraudulenta de contas e transferências de valores de forma eletrônica”, destacou o promotor.
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Os investigadores acreditam que as fraudes digitais, combinadas com práticas de extorsão, configuram um esquema mais amplo que pode envolver outros crimes, como estelionato e lavagem de dinheiro. “Estamos avaliando se essas condutas são absorvidas por outras tipificações. O uso de contas de terceiros foi essencial para ocultar a identidade dos verdadeiros criminosos”, disse o promotor Armando Gurgel.
Leia mais: Operação Militia: Veja os detalhes da ação que prendeu policiais envolvidos com milícia em Manaus
Na primeira fase da Operação Milícia, nove policiais já haviam sido presos, totalizando agora 11 detidos em todo o processo. Apesar dos avanços, o Ministério Público não descarta novas prisões, já que ainda há indícios de participação de outros envolvidos. “Seguimos analisando dados e rastros financeiros. Pode ser que outras pessoas ainda sejam alcançadas pela investigação”, afirmou o promotor.
Assista à coletiva na íntegra aqui:
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