Senadores Damares Alves e Plínio Valério denunciam suposto abuso de poder da PF em operações no interior do AM
Damares e Plínio relataram primeiras impressões após visita a comunidades abaladas com operações da PF.
- (Reprodução/AM POST)
Notícias do Amazonas – Os senadores Damares Alves (Republicanos-DF) e Plínio Valério (PSDB-AM) apresentaram nesta sexta-feira, 26, um balanço da diligência realizada nos municípios de Humaitá e Manicoré pelo Comitê de Direitos Humanos do Senado (CDH). A medida, aprovada a partir de requerimento do senador Plínio Valério, investigou denúncias de abusos cometidos pela Polícia Federal durante operações que resultaram na destruição de balsas de garimpeiros familiares e provocaram pânico entre a população local.
“Foi ofendida a dignidade da cidade quando se passou uma imagem para o Brasil inteiro de que naquela cidade só havia pessoas ruins. Temos um povo de bem, trabalhador, que ficou muito triste, especialmente em Manicoré, porque a operação aconteceu em um dia sagrado da padroeira. A liberdade religiosa e o direito de culto foram violados. A Polícia Federal não teve a sensibilidade de lembrar que a celebração religiosa é um dos direitos humanos mais fundamentais”, afirmou Damares Alves, ressaltando a necessidade de respeito às tradições e à vida comunitária.
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Imagens mostram destruição em comunidades após operação da PF. Confira:
A senadora detalhou cenas de grande impacto psicológico: “Vimos também crianças em pânico e professoras extremamente angustiadas, porque dentro da sala foi jogado um artefato em uma escola. Imaginem o clima na cidade. Nossa ida lá não foi apenas para levar solidariedade, mas também para buscar elementos. Estamos trazendo documentos, pen drives com imagens às quais vocês ainda não tiveram acesso, e vamos produzir um grande relatório da Comissão de Direitos Humanos. Saímos de lá também provocados a refletir sobre a legislação brasileira, sobre a necessidade de um marco legal.”
Damares Alves relatou ainda que muitas crianças e famílias sofreram consequências psicológicas graves: “Estive com as crianças; algumas estão fazendo terapia. Há uma menina que não dorme porque acha que o pai vai morrer, pois as crianças receberam essa mensagem. As cenas são fortes. As prefeituras não têm estrutura de saúde mental para cuidar de todas as crianças da cidade. Vi relatos chocantes, como o de uma mulher grávida, de barriga grande, que foi pressionada a se expor de forma desrespeitosa. Isso demonstra falta de sensibilidade e desrespeito à dignidade humana. Precisamos conversar com os órgãos governamentais para que isso não aconteça novamente.”
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Além do impacto emocional, houve prejuízos materiais significativos: “Documentos de idosos foram perdidos. Vocês sabem o que significa para um idoso perder a identidade e o cartão de benefícios, como aposentadoria ou Bolsa Família. É um caos. Mas a Defensoria Pública do Estado também está ajudando. Encontramos os defensores lá e precisamos dar respostas à população”, declarou a senadora.
O senador Plínio Valério reforçou a gravidade das operações e a necessidade de regulamentação legal: “Há sete anos falamos sobre isso. Mostrar essa atrocidade para o mundo não é apenas um relatório da Comissão de Direitos Humanos; será levado a todas as autoridades e a organismos internacionais. Tudo isso só vai parar quando houver regulamentação legal, porque não adianta retirar recursos do fundo; eles voltarão a ser explorados. É preciso ouvir as famílias. O ouro que está lá não foi colocado pelo homem, foi colocado por Deus, e deve ser usado pelos seres humanos com responsabilidade.”
Ambos os senadores destacaram que as operações da Polícia Federal não resultaram na prisão de líderes nem na apreensão de armas, mas causaram grande impacto social e econômico: “Na cidade, não vimos nenhuma festa de pancadão, nem pessoas nas ruas usando drogas. Uma grande operação contra o crime organizado não prendeu líderes nem apreendeu armas, apenas destruiu o patrimônio de cidadãos trabalhadores. Muitas mulheres envolvidas no extrativismo mineral estão em perigo, sem segurança alimentar. As escolas rurais precisaram fechar por causa do medo. O impacto financeiro atingiu toda a economia local. Igrejas não puderam celebrar cultos, e a população convive com o pavor diário de artefatos e fogos de artifício”, completou Damares.
Plínio Valério acrescentou: “Estamos revoltados. Estamos analisando a ação da Defensoria que gerou os mandados e as explosões, provocada pelo Greenpeace. É um atentado à soberania. Tudo isso será incluído no relatório da comissão. Vamos lutar por essa população; em questão de dias teremos resultados.”
A diligência realizada pelos senadores teve como objetivo reunir elementos para a elaboração de um relatório detalhado da Comissão de Direitos Humanos do Senado, que será encaminhado a autoridades nacionais e organismos internacionais. Damares Alves e Plínio Valério reforçaram o compromisso de acompanhar a situação e de buscar medidas que protejam a população, evitem abusos futuros e garantam a integridade física, emocional e social dos moradores de Humaitá e Manicoré.
Confira a entrevista na íntegra:
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