Lula e Trump conversaram por videoconferência em meio à crise gerada por tarifaço
Líder dos Estados Unidos telefonou ao presidente petista, nesta segunda-feira, 6, para diálogo sobre taxações a produtos brasileiros.
- Foto: Reprodução
Notícias do Brasil – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por videoconferência na manhã desta segunda-feira (6), em um gesto que marca o início de uma reaproximação diplomática entre Brasília e Washington. A conversa ocorre após sinais do governo republicano de abertura para renegociar tarifas comerciais impostas ao Brasil.
Participaram do encontro virtual o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Fernando Haddad (Fazenda) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação). De acordo com informações divulgadas pelo Palácio do Planalto, o principal pedido de Lula foi a revogação das tarifas de 40% que atualmente incidem sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, medida que, segundo o governo, tem impactado diretamente setores estratégicos da economia nacional, como o agronegócio, o aço e o alumínio.
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Além das tarifas, o presidente brasileiro também solicitou a retirada das sanções impostas a autoridades brasileiras, adotadas durante o período de tensão diplomática entre os dois países.
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Durante a conversa, os líderes concordaram em retomar o diálogo bilateral e se mostraram abertos a uma reunião presencial “em breve”, com a finalidade de aprofundar as tratativas comerciais. Segundo fontes do Planalto, Lula e Trump chegaram a trocar números de telefone pessoalmente, em um gesto simbólico de reconstrução da confiança política entre os dois governos.
O petista propôs que o encontro presencial ocorra durante a Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), que será realizada no fim de outubro, na Malásia. O evento deve reunir líderes de mais de 20 países e pode se tornar o palco da primeira reunião formal entre Lula e Trump desde a posse do republicano.
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Durante a ligação, Lula também reiterou o convite para que Trump participe da COP30, a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas que será sediada em Belém (PA) em 2025. O presidente brasileiro afirmou que pretende estreitar laços ambientais e comerciais com os EUA, desde que haja reciprocidade nas relações econômicas.
“O Brasil quer ser tratado com respeito e igualdade. Somos parceiros estratégicos e temos muito a ganhar com o comércio justo e sustentável”, teria dito Lula, segundo interlocutores do Planalto.
A Casa Branca, por sua vez, confirmou o diálogo e classificou a conversa como “cordial e produtiva”, ressaltando o interesse mútuo em reduzir tensões comerciais e fortalecer a cooperação econômica bilateral.
Apesar do tom diplomático, o cenário ainda é de impasse. As sanções e tarifas impostas por Washington foram adotadas após uma série de desentendimentos políticos e comerciais entre os dois países, o que gerou prejuízos significativos para as exportações brasileiras. Estimativas de economistas apontam que o tarifaço de 40% reduziu em até US$ 2,5 bilhões o volume de exportações brasileiras aos EUA nos últimos 12 meses.
O movimento de Trump em direção à reaproximação ocorre em meio à reorganização de sua política externa, marcada por uma postura mais pragmática. O republicano, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), busca reforçar a influência americana na América Latina e, ao mesmo tempo, pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a moderar ações judiciais contra Bolsonaro, que ainda enfrenta processos em curso.
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