Governo Trump cita “censura” e “prisão ilegal” no Brasil para justificar tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros
Representantes dos EUA afirmam ter “preocupações extremas” com o Estado de Direito, decisões judiciais e direitos humanos no país.
- Reprodução / YouTube
Notícias do Mundo – O governo dos Estados Unidos voltou a criticar o Brasil nesta quarta-feira (15/10), ao justificar o tarifaço de 50% aplicado a produtos brasileiros desde agosto de 2025. Segundo o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, cerca de 40% do aumento nas tarifas estão relacionados a “preocupações extremas com o Estado de Direito, a censura e os direitos humanos” no Brasil.
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Durante coletiva de imprensa sobre as relações comerciais dos EUA com a China, Greer afirmou, sem citar nomes, que “um juiz brasileiro tomou para si responsabilidades de ordenar que empresas dos EUA se autocensurem, dando-lhe ordens secretas para gerenciar o fluxo de informações”. Ele ainda acrescentou: “A situação do Estado de Direito em relação a oponentes políticos no Brasil é extremamente preocupante.”
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que acompanhava Greer na coletiva, interrompeu a fala do colega e declarou que houve “detenção ilegal de cidadãos americanos que estavam no Brasil”.
De acordo com o governo Trump, 10% do tarifaço correspondem a tarifas recíprocas aplicadas a diversos países para “controlar o déficit comercial global”, enquanto os 40% restantes têm motivação política e de direitos humanos.
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As declarações ocorrem um dia antes da reunião entre Brasil e EUA, marcada para esta quinta-feira (16/10), quando o chanceler Mauro Vieira se encontrará com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Washington, para discutir o tema. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou a realização do encontro.
Ao anunciar o tarifaço, o presidente Donald Trump também citou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e acusou autoridades brasileiras de perseguirem o ex-mandatário. Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado, e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente vive nos EUA, onde tem articulado medidas contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas ao pai.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo, em razão dessas articulações.
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