Justiça Federal ouve “Colômbia” e outros nove réus por organização criminosa ligada às mortes de Bruno e Dom
Audiência em Tabatinga apura atuação de grupo acusado de pesca ilegal e tráfico na Terra Indígena Vale do Javari.
- Foto: reprodução/Rede Amazônica
Notícias do Amazonas – A Justiça Federal em Tabatinga (AM) começou, nesta quinta-feira (16/10), a ouvir Rubén Dario da Silva Villar, conhecido como “Colômbia”, e outros nove réus acusados de integrar uma organização criminosa que atuava na região do Vale do Javari, no Amazonas. A audiência, que segue até sexta-feira (17), faz parte da ação penal que apura a estrutura criminosa responsável por pesca ilegal e tráfico de munição em terras indígenas.
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Entre os réus também está Amarildo da Costa de Oliveira, o “Pelado”, apontado como autor dos disparos que mataram o indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips, em junho de 2022. Ambos os principais acusados — Colômbia e Pelado — estão presos em presídios federais e participam das audiências por videoconferência.
Bruno e Dom desapareceram durante uma expedição no território que abrange os municípios de Guajará e Atalaia do Norte (AM). Eles foram vistos pela última vez em 5 de junho de 2022, quando navegavam pela comunidade de São Rafael, rumo a Atalaia do Norte. De acordo com as investigações, Bruno e Dom foram assassinados por atuarem em ações de fiscalização ambiental que prejudicavam os interesses econômicos de grupos criminosos na região.
A ação penal atual, no entanto, não trata diretamente das mortes, mas sim da formação e atuação da organização criminosa que explorava ilegalmente os recursos da Terra Indígena Vale do Javari. Segundo a Polícia Federal (PF), Colômbia é apontado como o líder do grupo e patrocinava financeiramente as operações ilegais, além de fornecer cartuchos usados nas execuções e orientar a ocultação dos corpos das vítimas.
Mesmo apelidado de “Colômbia”, Rubén Villar é de nacionalidade peruana. Ele foi preso em flagrante em 8 de junho de 2022, ao apresentar documentos falsos na sede da PF em Tabatinga. As investigações também o ligam a atividades de tráfico de drogas, com quadrilhas que escondiam cocaína em carregamentos de pescado.
A região do Vale do Javari, na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, é considerada uma das mais vulneráveis à ação de facções criminosas e redes de pesca ilegal. O caso provocou repercussão internacional e reacendeu o debate sobre a proteção de lideranças indígenas, ambientalistas e jornalistas que atuam na Amazônia.
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