Guilherme Boulos, que tem fama de ‘invasor de terras’, vira ministro no governo Lula
Ex-líder de ocupações e derrotado nas urnas em São Paulo, Guilherme Boulos assume cargo estratégico no governo.
- Foto: Divulgação
Notícias do Brasil – A caneta de Lula oficializou o que já vinha sendo costurado nos bastidores desde maio: Guilherme Boulos (PSOL-SP) foi nomeado, nesta segunda-feira (20), chefe da Secretaria-Geral da Presidência. O cargo, responsável por articular o governo com movimentos sociais, passa agora às mãos de quem sempre os liderou — e também dividiu o país com o rótulo de “invasor de casas”.
PUBLICIDADE
Boulos, que surgiu à frente do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) no início dos anos 2000, construiu sua imagem sobre ocupações de prédios abandonados e confrontos com governos. Agora, ironicamente, ocupará um gabinete em um dos palácios que simbolizam o poder que ele dizia enfrentar. A contradição não passou despercebida nem dentro da própria esquerda.
O PSOL, partido de Boulos, havia declarado oficialmente em 2022 que não ocuparia cargos no governo federal. A resolução do Diretório Nacional foi clara: “não teremos cargos na gestão que se inicia”. Dois anos depois, a promessa virou letra morta. A justificativa é que o deputado não é dirigente partidário, o que tecnicamente o livraria do veto. Mas, para muitos militantes, a nomeação soa como uma guinada pragmática — ou uma rendição ao sistema que o PSOL dizia combater.
No Planalto, Boulos substitui Márcio Macêdo (PT), criticado por não conseguir manter os movimentos sociais próximos do governo. A ironia é evidente: Lula chama para resolver o problema alguém cuja biografia foi forjada justamente em pressionar o Estado com megaprotestos, invasões e discursos inflamados. O “fogo amigo” agora será institucional.
Leia também: Membros do CV matam cozinheira na frente dos filhos após ela se recusar a envenenar PMS
PUBLICIDADE
A fama de “invasor de casas” — usada pela oposição contra ele em todas as eleições — volta à tona em meio à dúvida: o novo ministro vai moderar o discurso em nome da governabilidade ou levar o estilo combativo para dentro do Planalto? Críticos dizem que sua presença é um aceno para as bases mais radicais, mas também um risco calculado de mais atrito político dentro do próprio governo.
Boulos, professor e filósofo formado pela USP, já tentou o Executivo três vezes: Presidência (2018), Prefeitura de São Paulo (2020 e 2024) — e perdeu todas. Seu único mandato conquistado foi o de deputado federal em 2022.
Para a oposição, o gesto de Lula é um “presente” ao PSOL e uma afronta simbólica a quem defende a propriedade privada.
Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos






