Transparência Internacional critica presença dos irmãos Batista em comitiva de Lula na Indonésia: “Criminosos confessos”
Durante a visita, Joesley Batista assinou três memorandos de entendimento com empresas e fundos estatais da Indonésia.
- Reprodução / Canal Gov
Notícias do Brasil – A Transparência Internacional – Brasil divulgou uma nota de repúdio contra a presença dos empresários Joesley e Wesley Batista, do grupo J&F/JBS, em viagens oficiais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A entidade destacou a participação da dupla na comitiva presidencial que acompanha Lula na visita à Indonésia, onde foram assinados acordos bilionários com o governo local.
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Na nota, a organização afirmou que a participação dos irmãos Batista, “criminosos confessos de um dos maiores esquemas de corrupção da história e praticamente impunes”, desestimula qualquer mudança de comportamento entre políticos e empresários envolvidos em corrupção. “Qual o incentivo de políticos e empresários corruptos mudarem suas práticas quando há total impunidade?”, questionou a entidade.
Durante a visita, Joesley Batista assinou três memorandos de entendimento com empresas e fundos estatais da Indonésia, em cerimônia presenciada por Lula e pelo presidente indonésio Prabowo Subianto. Os acordos envolvem o fundo soberano da Indonésia (PT Danantara Investment Management), a estatal de energia elétrica PT Perusahaan Listrik Negara, e a Pertamina, empresa estatal de petróleo e gás. Os investimentos abrangem os setores de agronegócio, energia elétrica, petróleo, gás e produção de proteína animal, incluindo carne bovina, suína, aves, pescados e processados.
A Transparência Internacional também criticou a escolha de José Carlos Grubisich para representar a JBS em Jacarta. O executivo já foi preso nos Estados Unidos por corrupção, o que, segundo a entidade, reforça a incoerência de o governo brasileiro incluir figuras com esse histórico em agendas oficiais no exterior.
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Além da visita à Indonésia, o grupo J&F negocia com a Controladoria-Geral da União (CGU) um novo acordo de leniência relativo à Operação Greenfield, que investigou fraudes e corrupção em fundos de pensão e no sistema financeiro. O contrato investigado, de R$ 190 milhões, teria sido usado para mascarar pagamento de propina a um empresário concorrente.
Em 2017, Joesley Batista afirmou em delação ter repassado US$ 150 milhões em propinas a Lula e à ex-presidente Dilma Rousseff. O caso não avançou contra os petistas, e as condenações de Lula na Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021.
Os irmãos Batista, por sua vez, cumpriram prisão domiciliar e pagaram multa de R$ 1 bilhão, após repactuarem o acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 2020, homologado pelo ministro Luiz Edson Fachin.
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Declaração de Transparência
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