Irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro são recebidos por ministro de Bukele em El Salvador
Parlamentares buscam “receita” de Bukele em El Salvador e pressionam por endurecimento penal no Brasil.
- Foto: reprodução
Notícias de política – Os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro desembarcaram em San Salvador na segunda-feira (17/11) para uma rodada de conversas sobre segurança pública. O plano ideal incluía uma reunião com o presidente Nayib Bukele, estrela global do discurso de “tolerância zero” ao crime. Mas, até agora, o líder salvadorenho não bateu o martelo sobre receber os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A dupla, porém, não perdeu tempo: na terça-feira (18/11), se encontrou com o ministro da Segurança, Gustavo Villatoro, o homem-forte do aparato repressivo do país.
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Villatoro, que se tornou uma espécie de anfitrião de parlamentares brasileiros simpáticos ao modelo Bukele, já tinha recebido o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) na semana anterior. Agora, foi a vez dos Bolsonaro ouvirem o pacote completo da estratégia que transformou El Salvador de “país mais violento do mundo” a “mais seguro do hemisfério ocidental”, segundo o relato de Eduardo.
Autoexilado nos Estados Unidos desde fevereiro, o deputado federal tratou a visita como um manual de instruções para consumo interno. Disse ter ouvido do ministro uma explicação detalhada do chamado “milagre Bukele”, resumido — nas palavras dele — a três pilares: romper com o que chamou de “sistema que protegia o crime”, impor leis duras contra facções e garantir controle territorial absoluto. Num tom messiânico, afirmou que leva o aprendizado para o Brasil “com a certeza de que é possível recuperar o país do domínio das facções”.
Flávio Bolsonaro, presidente da Comissão de Segurança Pública do Senado, viajou em missão oficial. Nas redes, postou um vídeo do encontro com Villatoro e cravou: “A experiência salvadorenha prova que é possível derrotar a criminalidade. O Brasil tem jeito.” Simples, direto e pensado para viralizar.
A visita é mais do que um giro internacional. É um gesto político calculado num momento em que o debate sobre segurança pública escala no Brasil e a direita tenta capitalizar a popularidade global do modelo salvadorenho. O pacote repressivo de Bukele — estado de exceção contínuo, prisões em massa e forte presença militar — enfrenta duras críticas de entidades internacionais por limitar liberdades civis e atropelar garantias legais básicas. Mas isso não diminui o efeito: a taxa de homicídios do país despencou para 1,9 por 100 mil habitantes, a mais baixa das Américas.
No Brasil, o discurso encontra terreno fértil. A pauta de endurecimento penal vem ganhando força, especialmente entre aliados do bolsonarismo. A viagem dos irmãos funciona como vitrine e munição política: reforça a narrativa de que o país precisa de um choque de autoridade, e que o modelo salvadorenho seria um atalho para resultados imediatos.
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