Bolsonaro tenta reduzir pena com programa “Ler Liberta” e recebe lista de livros sobre democracia e ditadura
Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão.
- Agência Brasil
Notícias do Brasil – O ex-presidente Jair Bolsonaro, preso desde sábado (22) na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, poderá reduzir parte de sua pena por meio do programa “Ler Liberta”, que concede remição de quatro dias na prisão para cada livro lido, mediante comprovação.
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Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado. Ele é acusado de liderar uma organização criminosa responsável por articular uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, respondendo pelos crimes de:
Organização criminosa armada;
Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
Golpe de Estado;
Dano qualificado por violência e grave ameaça;
Deterioração de patrimônio tombado.
Paralelamente, sua defesa apresentou um novo recurso ao STF alegando que o tribunal cometeu um “erro judiciário” durante o processo.
Clássicos da literatura brasileira e obras sobre democracia dominam a lista
Entre os livros escolhidos previamente para Bolsonaro, há clássicos da literatura brasileira, como “Sagarana”, “Vidas Secas” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, além de títulos contemporâneos como “Tudo é Rio” e “Dias Perfeitos”.
Grande parte das obras aborda temas como democracia, ditadura, preconceito, racismo, gênero e direitos humanos — assuntos que dialogam diretamente com debates políticos recentes no país.
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Ele também terá acesso a obras marcantes como “Ainda Estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva, que narra a história da mãe do autor durante a ditadura militar e inspirou o filme vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2024.
Outro título disponível é “O Processo”, de Franz Kafka, clássico que retrata um homem acusado de um crime não especificado e obrigado a enfrentar um sistema judicial opaco.
Como funciona o programa “Ler Liberta”
A participação no programa é voluntária. Após a inscrição, cada preso recebe o livro diretamente na cela, acompanhado de um manual explicando as regras para remição de pena pela leitura.
O esquema funciona assim:
O detento tem 21 dias para ler o livro;
Depois, possui 10 dias para escrever um relatório que comprove a leitura;
O material é avaliado com base na qualidade do texto, autenticidade e clareza das ideias;
No DF, cada preso pode ler até 11 livros por ano, podendo reduzir a pena em até 44 dias anuais.
Obras disponibilizadas ao ex-presidente
Alguns dos títulos enviados para seleção incluem:
Tudo é Rio — Carla Madeira
Marrom e Amarelo — Paulo Scott
1984 — George Orwell
Não Verás País Nenhum — Ignácio de Loyola Brandão
Vidas Secas — Graciliano Ramos
Moby Dick (HQ) — Herman Melville
Os Lusíadas (adaptação) — Luís de Camões
Democracia — Philip Bunting
Zumbi dos Palmares — Luiz Galdino
O Prisioneiro B-3087 — Ruth e Jack Gruener
O Jardim Secreto — Frances Burnett
O Príncipe — Nicolau Maquiavel
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