Familiares do pequeno Benício protestam em frente ao CRM e pedem responsabilização da médica que atendeu a criança em Manaus
Criança morreu de overdose.
- (Foto: Denivaldo Oliveira)
Notícias de Manaus – Os familiares da pequeno Benício Xavier, de apenas seis anos, buscam respostas e justiça durante protesto nesta segunda (1) em frente ao CRM (Conselho Regional de Medicina) localizado no Bairro Planalto, Zona Centro Oeste de Manaus.
O menino foi levado ao hospital particular Hospital Santa Júlia na noite de sábado (22) com sintomas de tosse seca e suspeita de laringite. Segundo os pais, ele foi atendido por uma médica que prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina por via intravenosa — um uso atípico em quadros como o daquele.
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Apesar do alerta da família que questionou a técnica de enfermagem sobre a via de administração, já que o menino nunca havia tomado adrenalina pela veia a medicação foi aplicada. Logo após a primeira dose, Benício apresentou piora abrupta, com palidez, oxigenação caída e relato de dor intensa, dizendo que “o coração estava queimando”. Em seguida, ele foi transferido para a UTI, intubado, mas sofreu pelo menos seis paradas cardíacas; a última, às 2h55 de domingo (23), foi fatal.
A causa preliminar do óbito aponta para uma prescrição e aplicação incorreta de adrenalina, que teria sido aplicada diretamente na veia da criança, que pesava 21 quilos.
A investigação do caso está a cargo do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Na última sexta-feira (28) a médica responsável Juliana Brasil Santos e a técnica de enfermagem Raíza Bentes Paiva envolvida foram ouvidas, mas o depoimento revelou um cenário de acusações mútuas. A técnica alega ter seguido estritamente a orientação médica, enquanto a médica sustenta que a profissional de enfermagem deveria ter verificado a dosagem e a via de administração da medicação. O delegado Marcelo Martins agendou uma nova acareação para esclarecer os fatos.
Enquanto a apuração policial segue, amigos e familiares, incluindo o pai da criança, Bruno Freitas, organizam protestos para garantir que o caso não caia no esquecimento.
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A família denuncia um “erro sistêmico”, apontando para múltiplas negligências que vão desde a contratação de profissionais até a suposta falta de fiscalização em unidades de saúde. A mãe de Benício ainda muito abalada, Joyce Xavier, 41, deu a seguinte declaração: “Quando eu falei com a médica, ela tentou culpar o sistema e a equipe de enfermagem pela situação do meu filho. Desde o início, foi assim.” disse a mãe.
Já o pai, Bruno Freitas, 42, disse: “A situação foi muito confusa, e não tive tempo de avaliar a situação. Foi tudo tão acelerado que não consegui sequer questionar mais sobre os procedimentos. Acredito que precisamos esclarecer o que realmente aconteceu e garantir que situações como esta não se repitam.”
Mensagens trocadas entre a médica responsável e um colega obtidas pela investigação evidenciam o que seria a confissão de um erro: nela, a profissional admite ter feito a prescrição incorreta e pede socorro após a piora do quadro. “Eu errei a prescrição”, escreveu ela, pouco antes de o menino entrar em parada cardíaca.
“Tudo aconteceu muito rápido. Quando perguntei sobre a inalação com adrenalina, ela respondeu que não teria, pois a médica havia prescrito a administração na veia. Fiquei surpresa, pois meu filho sempre recebeu a medicação por inalação, e ela mesma disse que nunca havia feito na veia.” finalizou a mãe do pequeno Benício, Joyce.
Em meio à dor, a família recebeu apenas o prontuário do hospital e busca rigor na aplicação da lei. A denúncia é clara: a dose de 3ml de adrenalina administrada é considerada excessivamente alta para uma criança da idade e peso de Denise.
Os manifestantes, com faixas e balões, exigem que a justiça seja feita e que falhas estruturais na saúde sejam corrigidas para evitar que outras vidas inocentes sejam ceifadas.
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