MPF pede restabelecimento da prisão de Daniel Vorcaro e executivos do Banco Master
O pedido foi apresentado no sábado pelo procurador regional da República, que apontou risco elevado de fuga.
- Fraga Alves / Metropoles
Notícias do Brasil – O Ministério Público Federal (MPF) solicitou à desembargadora federal Solange Salgado da Silva a reconsideração da decisão que revogou a prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e de outros quatro executivos investigados na Operação Compliance Zero, que apura uma suposta fraude bilionária na negociação de carteiras de crédito do banco.
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O pedido foi apresentado no sábado (29/11) pelo procurador regional da República, Felício de Araújo Pontes Júnior, que apontou risco elevado de fuga, destruição de provas e continuidade das atividades ilícitas por parte dos investigados — que ficaram presos por 12 dias.
No documento, o MPF afirma que Vorcaro e os executivos possuem acesso a “sofisticados meios logísticos, financeiros e tecnológicos”, o que poderia facilitar ações para obstruir as investigações.
Segundo o procurador, mesmo com o uso de tornozeleira eletrônica, as medidas aplicadas pela desembargadora não seriam suficientes para evitar a continuidade das supostas irregularidades ou a fuga do país.
Decisão que soltou executivos aplicou cautelares
Ao revogar a prisão preventiva de Vorcaro, Augusto Lima, Luiz Antônio Bull, Alberto Félix de Oliveira e Angelo Ribeiro da Silva, a desembargadora determinou medidas cautelares como:
uso de tornozeleira eletrônica;
entrega de passaportes;
proibição de contato entre investigados.
A defesa nega as acusações de tentativa de fuga e afirma que Vorcaro não oferece risco à ordem pública, já que foi afastado do cargo e teve R$ 12 bilhões bloqueados pela Justiça Federal.
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O Banco Central decretou liquidação extrajudicial do Banco Master, como forma de garantir o pagamento aos clientes.
Fraude bilionária entre BRB e Banco Master
A Operação Compliance Zero investiga a compra, pelo Banco de Brasília (BRB), de carteiras de crédito supostamente fraudulentas apresentadas pelo Banco Master por meio de empresas de fachada, como a Tirreno.
Relatórios da Polícia Federal indicam diversas irregularidades:
créditos inexistentes ou sem documentos comprobatórios;
sobreposição de CPFs;
origem dos créditos em empresa recém-criada;
falhas no processo de verificação do BRB.
A PF também destacou que o BRB aceitou a devolução de R$ 6,7 bilhões pela Tirreno em parcelas até dezembro de 2025, em vez de exigir o pagamento imediato — o que reforçaria a hipótese de que o banco estadual teria, na prática, “emprestado” recursos ao Master.
Defesa nega fraude
A defesa de Vorcaro afirma que não houve fraude de R$ 12 bilhões e que as carteiras questionadas foram substituídas por ativos regulares. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) após a citação de um deputado federal nas investigações, e o processo está sob relatoria do ministro Dias Toffoli, em sigilo.
A Operação Compliance Zero antes chegou a ser batizada como Ostap Bender, referência ao personagem trapaceiro do romance soviético O Bezerro de Ouro.
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