Contador preso pela PF acusa Grupo Rodrigues de operar lavagem de R$ 2,5 milhões
A PF afirmou que a operação se enquadra nos elementos típicos da lavagem de dinheiro previstos na Lei 9.613/1998.
- Divulgação
Notícias do Amazonas – Uma operação da Polícia Federal em Manaus revelou um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o Grupo Rodrigues, um dos maiores conglomerados do setor supermercadista do Amazonas. A ação, deflagrada na quarta-feira (3), terminou com a prisão do contador Ruan Lima Silva, do policial militar Rayron Costa Bezerra — lotado na Casa Militar — e de Marcos Aurélio Santos da Cruz, após o trio ser flagrado com R$ 2,5 milhões retirados em espécie de uma agência do Sicoob instalada no Uai Shopping, Zona Leste da capital.
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A abordagem foi realizada logo após a saída do grupo da agência bancária. De acordo com o auto de prisão em flagrante, Rayron carregava uma mala contendo o dinheiro e afirmou desconhecer o conteúdo, dizendo que apenas atendia a um pedido de “favor” de Marcos Aurélio.
Um inquérito obtido pelo site Radar Amazônico, detalha que Rayron é proprietário de uma empresa de segurança que presta serviços ao Grupo Rodrigues. Embora admita conhecer os donos, disse não ter proximidade com eles.
Já o contador Ruan Lima Silva relatou à PF ter recebido ordem direta de Alexsuel da Silveira Rodrigues, um dos proprietários da rede, para indicar alguém que abrisse uma empresa e uma conta bancária destinadas a receber valores e realizar saques. Ele afirmou ter criado uma empresa fictícia em nome de Marcos Aurélio e recebido cerca de R$ 1 mil pelo serviço, valor dividido com o “dono formal” do negócio.
Marcos Aurélio, que disse trabalhar fazendo diárias em um bar por R$ 40 a R$ 50, declarou que não tinha conhecimento da existência da empresa em seu nome nem do valor movimentado. Segundo ele, apenas foi ao banco “assinar um papel” a pedido do sobrinho, Ruan.
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Empresa fantasma
As diligências também constataram que a empresa usada na operação não possui sede real, funcionários ou atividades econômicas, reforçando que se trata de uma “empresa de fachada”. O endereço cadastrado fica na Avenida do Turismo, no Tarumã, onde funciona uma unidade da Rodrigues Colchões.
A investigação aponta ainda que o Grupo Rodrigues já é alvo de levantamentos por possíveis esquemas de superfaturamento e desvio de recursos públicos federais, o que aumenta as suspeitas sobre a retirada de um valor tão elevado em espécie e sem justificativa econômica plausível.
A PF afirmou que a operação se enquadra nos elementos típicos da lavagem de dinheiro previstos na Lei 9.613/1998, especialmente o uso de pessoas jurídicas inexistentes para mascarar a origem e destinação dos recursos.
A ação ocorreu após equipes da FICCO receberem informações de que Marcos Aurélio faria um saque milionário no Sicoob. Com a confirmação da movimentação suspeita, os agentes passaram a acompanhar o trio e efetuaram a abordagem logo após o saque.
Após a prisão, os três passaram por audiência de custódia, e o juiz plantonista determinou liberdade provisória para todos. Eles responderão ao processo em liberdade enquanto a Polícia Federal dá continuidade às investigações para rastrear a origem do dinheiro e identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
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