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Glauber Braga se livra de cassação e é suspenso da Câmara por 6 meses por chute em militante

Plenário aprovou pena alternativa por 318 votos a 141, em meio a pressão do Centrão e desgaste interno.

10/12/2025 às 21:42 - Atualizado em 10/12/2025 às 21:45

Notícias do Brasil – Após extensa negociação do governo, a Câmara dos Deputados trocou a cassação pela suspensão do mandato do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) por seis meses nesta quarta-feira, 10. Foram 318 votos pela suspensão de seis meses e 141 contra, além de três abstenções.

Ele foi acusado de agredir com chutes Gabriel Costenaro – à época integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) – dentro das dependências da Casa no ano passado.

Glauber afirmou que agiu daquela forma por Costenaro, segundo ele, fazer insinuações sobre a mãe dele, a ex-prefeita de Nova Friburgo Saudade Braga, que na época estava doente. Ela morreu 22 dias após o incidente.

Substituirá Glauber, durante o semestre, a ex-senadora Heloísa Helena (Rede-RJ).

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A movimentação de troca de penas foi encabeçada pelo líder do governo, José Guimarães (PT-CE), que trabalhou para convencer os demais parlamentares recuarem da decisão de derrubar de vez o mandato de Glauber.

Lideranças do PSOL dizem que as negociações por um texto alternativo se alongaram pela manhã. Parlamentares da sigla relatam que há um certo desconforto do Centrão em aprovar essa cassação.

“Essa é a saída política, responsável, que fortalece o Parlamento”, afirmou o deputado Alencar Santana (PT-SP), vice-líder do governo.

O deputado Zé Trovão (PL-SC) acusou o secretário especial de assuntos parlamentares, André Ceciliano, de telefonar para deputados oferecendo emendas para impedir a cassação de Glauber. “Isso é uma injúria”, respondeu o governista Hildo Rocha (MDB-MA), que ameaçou apresentar representação contra Trovão no Conselho de Ética.

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Ao Estadão, Ceciliano disse que ligou para deputados pedindo para votarem contra a cassação de Glauber, mas não mencionou emendas.

Mais cedo, em entrevista ao Estadão, Glauber dava como certa a cassação e acusou os ex-presidentes da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e Eduardo Cunha (Republicanos-RJ) e o presidente do PP, Ciro Nogueira (PP-PI) como outros articuladores da sua queda política.

Lira ficou inconformado com a votação da representação contra Glauber e a costura feita pelo governo para trocar o encerramento do mandato do parlamentar por uma suspensão de seis meses.

Ele foi visto andando pela Câmara inconformado com a votação de destaque que deu preferência à votação da suspensão do mandato em vez do relatório que pedia a cassação. “Duzentos e tantos votos…p****!”, disse Lira, no telefone.

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Na véspera da decisão do plenário da Câmara, Glauber ocupou a cadeira do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e foi retirado à força pela Polícia Legislativa.

Glauber discursou por 25 minutos em defesa do seu mandato. “Sobre o que aconteceu, eu confesso para os senhores e senhoras: para defender a minha família, eu sou capaz de muito mais”, afirmou. “Para defender a minha família, um chute na bunda é nada.”

Todas as principais movimentações do processo ocorreram neste ano. Glauber chegou a fazer uma greve de fome em abril, logo após o Conselho de Ética aprovar a sua cassação. Ele ocupou um plenário de comissão e fazia apenas a ingestão de água, soro fisiológico e isotônico durante a greve, que durou nove dias.

A greve foi encerrada após um acordo com Motta, que prometeu que votaria a cassação apenas no segundo semestre deste ano.

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Kim Kataguiri (União-SP), integrante do MBL, pediu pela cassação de Glauber. “Se a gente vai normalizar dar um chute em outra pessoa, essa será a nova regra?”, questionou. “Ele (Glauber) transformou todo o processo de cassação em palanque político.” Depois, mudou o posicionamento, e se pronunciou favoravelmente à suspensão por seis meses.

O Estadão mostrou que o relator do processo que pediu a cassação de Glauber, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), já agrediu jornalista na Câmara e não foi punido.

Há 24 anos, ele deu um pontapé um jornalista que denunciou em livro o tio do parlamentar, o ex-governador da Bahia Antônio Carlos Magalhães.

No dia 4 de abril de 2001, o jornalista Maneca Muniz lançava, no corredor das comissões da Câmara, um livro chamado As veias abertas do carlismo, onde detalhava escândalos de corrupção do tio de Magalhães.

O parlamentar, que na época era do PFL (que se tornou DEM e agora é o União Brasil) arrancou um varal onde estavam expostos trechos da obra e deu um pontapé em Muniz, que revidou com um soco.

Na edição do dia seguinte, 5 de abril de 2001, o Estadão reportou que a confusão não foi maior porque os seguranças da Câmara agiram rápido. Na ocasião, Paulo Magalhães disse que estava cumprindo ordens de Aécio Neves (PSDB-MG), então presidente da Casa, de retirar o varal das dependências do Congresso.

Estadão Conteúdo

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