Operação Igapó: PF investiga esquema milionário em obras da COP com suspeita de liderança de deputado e uso de PMs
Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a operação cumpriu 31 mandados de busca e apreensão.
- Foto: reprodução
Notícias do Pará – A Polícia Federal deflagrou, na terça-feira (16), a Operação Igapó para apurar um suposto esquema de corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro envolvendo obras públicas no Pará — algumas delas vinculadas a projetos estruturantes para a COP 30, em Belém. Entre os alvos está o deputado federal Antonio Doido (MDB-PA), apontado como líder da organização criminosa, além da esposa dele, empresários, policiais militares e um secretário de Estado.
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Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a operação cumpriu 31 mandados de busca e apreensão, determinou bloqueio de bens e resultou em duas prisões, incluindo a de um policial militar. Durante as diligências, agentes encontraram celulares arremessados pela janela no apartamento do parlamentar. Também foram apreendidos R$ 70 mil em espécie, relógios de luxo e R$ 200 mil em vinhos.
Empresa ligada à esposa recebeu R$ 633 milhões
No centro da investigação está a J.A. Construções, empresa ligada à esposa do deputado, Andrea Costa Dantas, que teria recebido R$ 633 milhões do Governo do Pará entre 2020 e 2024, por meio de 375 transferências para execução de obras públicas. Dados do Portal da Transparência indicam que a companhia foi a nona maior credora do Estado em 2024, com R$ 329 milhões pagos apenas naquele ano.
Segundo a PF, parte dos recursos teria sido desviada por meio de fraudes licitatórias, com posterior fragmentação de valores (“smurfing”) para burlar mecanismos de controle e saques em dinheiro vivo destinados a financiamento eleitoral, pagamento de propina e enriquecimento ilícito.
Saques em espécie e alertas do Coaf
Relatórios de Inteligência Financeira do Coaf apontam:
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R$ 48 milhões sacados em espécie entre março de 2023 e outubro de 2024;
R$ 22 milhões retirados nas três semanas anteriores às eleições municipais de 2024;
R$ 5 milhões apreendidos em flagrante em 4 de outubro de 2024.
As retiradas ocorreram sobretudo em agências de Castanhal e São Miguel do Guamá. A PF descreve um sistema que incluía transferências circulares entre empresas do grupo, uso de casas lotéricas para disfarçar saques e divisão dos valores em parcelas abaixo de R$ 50 mil.
Papéis no esquema, segundo a PF
Antonio Doido: apontado como líder, com conhecimento e monitoramento das operações financeiras;
Francisco Galhardo, tenente-coronel da PM: descrito como operador logístico e financeiro, preso em flagrante ao sacar R$ 4,98 milhões às vésperas da eleição;
Andrea Costa Dantas: indicada como fachada empresarial, proprietária formal das empresas;
Ruy Cabral, secretário de Obras do Pará: investigado por suspeita de recebimento de propina, com saques e contatos telefônicos ocorrendo no mesmo dia de habilitações em licitações.
Obras da COP 30 sob suspeita
A investigação alcança a licitação da Perna Norte da Rua da Marinha, orçada em R$ 148 milhões, anunciada como estratégica para a COP 30. O consórcio integrado por empresas ligadas à esposa do deputado venceu com proposta R$ 22 milhões mais cara que a segunda colocada. O certame foi revogado em janeiro de 2025 por “inconsistências no planejamento e fundamentação orçamentária”.
Outros projetos no chamado “polígono COP”, incluindo as “vias inteligentes”, também entraram no radar das apurações por envolverem consórcios com participação da J.A. Construções.
Patrimônio incompatível e elo eleitoral
A PF aponta incompatibilidade patrimonial na evolução financeira de Andrea Dantas — de salário de R$ 2,5 mil em 2017 a capital social de R$ 15 milhões em 2020. Investigações também relacionam saques em espécie ao financiamento de campanhas em Ananindeua (onde Antonio Doido foi candidato) e Ourém (campanha de parente), com PMs atuando na logística eleitoral.
Próximos passos
As apurações seguem sob sigilo. A decisão é de primeira instância e pode ter novos desdobramentos no STF. O governo do Estado afirmou, em nota, que colabora com as investigações e que as contratações observam os princípios legais. Os demais citados foram procurados e ainda não se manifestaram até a publicação.
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Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
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