Putin chama líderes europeus de “porcos” e acusa Ocidente de querer colapso da Rússia
Putin citou nominalmente a Europa como parte do que chamou de “degradação total” do projeto político ocidental. “
- Foto: Kremlin / Youtube
Notícias do Mundo – O presidente da Rússia, Vladimir Putin, voltou a endurecer o discurso contra a Europa e o Ocidente ao afirmar que líderes europeus “queriam regalar-se com o colapso da Rússia”. A declaração foi feita nesta quarta-feira (17), durante a reunião anual com os principais comandantes das Forças Armadas russas, em Moscou.
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No encontro, Putin responsabilizou o Ocidente pela guerra contra a Ucrânia e acusou aliados europeus de Washington de terem apoiado uma estratégia voltada a enfraquecer a Rússia após o início do conflito. Segundo o líder russo, a invasão em larga escala lançada em fevereiro de 2022 seria resultado direto das ações e pressões externas.
Críticas à Europa e aos EUA
Putin citou nominalmente a Europa como parte do que chamou de “degradação total” do projeto político ocidental. “Os porcos europeus queriam regalar-se com o colapso da Rússia”, afirmou, usando um termo ofensivo já empregado anteriormente por aliados do Kremlin para se referir às democracias ocidentais.
O presidente russo também atribuiu à antiga administração dos Estados Unidos, então liderada por Joe Biden, a responsabilidade por “iniciar” a guerra. Segundo ele, os países europeus apenas teriam seguido a orientação de Washington, esperando obter vantagens econômicas e geopolíticas com um eventual enfraquecimento russo.
Apesar das críticas, Putin declarou que Moscou ainda espera retomar o diálogo com os Estados Unidos e, futuramente, com a Europa, embora tenha ressaltado que isso dificilmente ocorrerá enquanto permanecerem no poder as atuais elites políticas europeias.
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Exigências e ameaça de ampliação da guerra
Durante o discurso, Putin reafirmou que a Rússia buscará ampliar seus “ganhos” territoriais na Ucrânia caso Kiev e seus aliados rejeitem as exigências do Kremlin. Ele descartou a aceitação de propostas de paz que não contemplem o que chamou de “eliminação das causas profundas” do conflito.
Entre essas exigências, Moscou cita a renúncia da Ucrânia à adesão à NATO e à União Europeia, além de alegações — não comprovadas — de discriminação contra russos étnicos e a chamada “desnazificação” do país vizinho.
Exibição de poder militar e nuclear
Putin também utilizou o discurso para exaltar o poderio militar russo, com ênfase na modernização do arsenal nuclear. Segundo ele, 92% das forças nucleares da Rússia já foram modernizadas, percentual que, de acordo com o presidente, não encontra paralelo em nenhuma outra potência nuclear.
O líder do Kremlin destacou ainda o novo míssil balístico de alcance intermediário Oreshnik, com capacidade nuclear, que deve entrar oficialmente em operação ainda este mês. Putin afirmou que o armamento é praticamente impossível de ser interceptado, reforçando o tom de ameaça à Europa e à Ucrânia.
Encerrando o discurso, Putin declarou que a guerra teria fortalecido a soberania russa. “Graças à operação militar, a Rússia recuperou sua soberania total e tornou-se um país soberano em todos os sentidos da palavra”, afirmou, em mais uma tentativa de justificar a invasão em curso.
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