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Prefeito mais rico do Amazonas governa Iranduba que enfrenta abandono e crise ambiental

Município convive com estradas intrafegáveis, desmatamento e lixão a céu aberto há mais de 30 anos.

Por Natan AMPOST

20/12/2025 às 07:00

Notícias do Amazonas – Enquanto moradores de Iranduba convivem com estradas intrafegáveis, avanço do desmatamento e um lixão a céu aberto ativo há mais de três décadas, o prefeito do município, Augusto Ferraz (União Brasil), de 63 anos, tem uma fortuna de mais de R$ 8,3 milhões [R$ 8.373.883,65]. Isso somente até o ano passado. Dos 62 chefes do Poder Executivo municipal do Amazonas, eleitos e reeleitos em 2024, Ferraz é o mais rico do Estado, conforme os bens declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos candidatos vencedores do último pleito.

Em 2020, ao se eleger para o primeiro mandato como prefeito de Iranduba, Augusto Ferraz informou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 6.825.794,59. Nos primeiros quatro anos à frente da administração municipal, garantiu um acréscimo de mais de R$ 1,5 milhão [R$ 1.548.089,06] aos seus bens pessoais. Um enriquecimento de 22,68% antes do segundo mandato.

A riqueza do prefeito de Iranduba o coloca à frente até mesmo de gestores de cidades com maior arrecadação e peso econômico no Amazonas. O patrimônio de Ferraz é mais de seis vezes superior ao do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), oitavo colocado no ranking do levantamento. Responsável pela gestão da capital, que concentra a maior parcela do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, Almeida, reeleito também no ano passado, divulgou possuir na época R$ 1.277.906,77 em bens.

De acordo com a plataforma DivulgaCand, do TSE, a maior parte da fortuna de Augusto Ferraz está concentrada em fundos de previdência privada, que somam mais de R$ 3,5 milhões [R$ 3.542.826,17], e imóveis avaliados em mais de R$ 3,3 milhões [R$ 3.383.289,21] espalhados por Manaus e municípios do interior. O prefeito também declarou R$ 550 mil em dinheiro em espécie, empréstimo [R$ 301.605,79], aplicações financeiras e participação societária única em uma empresa privada e majoritária [99%] em outra firma. As duas companhias juntas têm R$ 349.000,00 em capital social.

Leia mais: Prefeito Iranduba, Augusto Ferraz é vaiado durante festa aniversário da cidade

Entre os bens de alto padrão está um apartamento de luxo no Avant Tower, localizado na Avenida Mário Ypiranga, no bairro Adrianópolis, área nobre da zona Centro-Sul de Manaus, avaliado em mais de R$ 1,2 milhão [R$ 1.227.807,17]. Em contrapartida, Ferraz financiou um apartamento, pela Caixa Econômica, no bairro Tarumã, no valor de R$ 63.482,04.

Augusto Ferraz também possui casas, prédios residenciais e comerciais no Centro da capital, em bairros periféricos como Jorge Teixeira e Novo Israel, além de imóveis em Rio Preto da Eva e um terreno localizado na Estrada do Janauari. Esta última é uma área diretamente afetada por problemas ambientais no município que administra.

O único veículo declarado ao TSE foi uma camioneta Toyota Hilux, ano 2021, avaliada em R$ 246.060,00.

Reeleito para governar Iranduba até 2028, Augusto Ferraz carrega um histórico de polêmicas na vida pública e já enfrentou uma cassação após denúncias de abuso de poder econômico e político nas Eleições de 2020. Conforme moradores, à medida que a fortuna pessoal do prefeito cresce, o município caminha para uma crise social e ambiental sem precedentes.

Colapso iminente

Em contraste com a prosperidade pessoal do gestor municipal, Iranduba enfrenta um cenário descrito por moradores como de abandono e colapso ambiental iminente. A Estrada do Janauari, que conecta comunidades rurais, agricultores e escolas, encontra-se esburacada, sem pavimentação adequada e sem coleta regular de lixo. Próximo dali, o lixão a céu aberto do Km 6 segue ativo há mais de 30 anos, despejando fumaça tóxica, mau cheiro e contaminando o solo e a água da região.

O comerciante Valdo Guimarães, que vive a cerca de 400 metros do lixão, relata prejuízos constantes. “Quando o vento bate na direção do lixão, o mau cheiro entra todo no meu comércio. Minha água do poço não presta há meses”, afirmou.

Segundo Guimarães, o Ramal do Creuza, outra via essencial para a economia local, teve sua situação agravada por uma obra pública inacabada. “Minhas vendas caíram 50%. Mexeram na estrada toda e não concluíram nada. Nem asfalto, nem uma raspagem para tirar a lama”, relatou.

Moradores afirmam que esse é um padrão da atual gestão. Estimam que entre 80% e 90% das obras públicas anunciadas pela prefeitura estejam inacabadas ou abandonadas.

Aterro sanitário

O debate sobre a instalação de um aterro sanitário divide a população, mas lideranças comunitárias apontam que a condução do tema pela prefeitura é política, não técnica. Para André Peres, presidente da Associação Rural da Comunidade São Francisco, o posicionamento do prefeito muda conforme o calendário eleitoral.

“Antes ele defendia o aterro. Agora é contra. Depois da eleição deve voltar a defender. É tudo político”, afirmou.

Enquanto isso, o lixão existente, considerado ilegal e altamente poluente, segue em operação sem solução definitiva, mesmo diante de denúncias sobre interesses privados na venda de projetos de aterro à prefeitura.

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Desmatamento avança

Além da crise do lixo, Iranduba enfrenta um avanço acelerado do desmatamento. Loteamentos, muitos considerados irregulares por lideranças locais, estão sendo abertos em áreas de mata e próximos a igarapés, ampliando o risco de contaminação ambiental.

“Em todos os ramais, os loteamentos irregulares estão desmatando e poluindo os igarapés. Daqui a menos de dez anos, Iranduba não terá mais mata”, alertou Benedito Leite, líder comunitário do Novo Paraíso, no Km 6.

Ainda segundo Leite, que também é presidente da Associação dos Moradores e Agricultores Rurais da Comunidade São José II, no Km 5, centenas ou milhares de novos moradores devem chegar à região sem que exista qualquer plano básico de gestão de resíduos sólidos. “Ninguém pensa no futuro”, criticou.

RANKING DOS PREFEITOS DO AMAZONAS POR VALOR DE BENS DECLARADOS

1 – Augusto Ferraz (União Brasil), de Iranduba: R$ 8.373.883,65

2 – Dr. Lázaro (Republicanos), de Fonte Boa: R$ 7.777.657,21

3 – Toco Santana (Republicanos), de Borba: R$ 6.878.731,04

4 – Bosco Falabella (União Brasil), de Urucará: R$ 6.256.700,88

5 – Cecéu (MDB), de Santo Antônio do Içá: R$ 2.425.593,11

6 – Mateus Assayag (PSD), de Parintins: R$ 1.493.208,93

7 – Nazaré Rocha (MDB), de Amaturá: R$ 1.328.000,00

8 – David Almeida (Avante), de Manaus: R$ 1.277.906,77

9 – Gibe Martins (União Brasil), de São Paulo de Olivença: R$ 1.200.000,00

10 – Darlan Taveira (União Brasil), de Barreirinha: R$ 1.196.000,00

11 – Sales de Oliveira (Republicanos), de Tonantins: R$ 1.130.000,00

12 – Tonho (União Brasil), de Codajás: R$ 1.100.000,00

13 – Pedro Guedes (PSD), do Careiro da Várzea: R$ 1.057.428,48

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14 – Dedei Lobo (União Brasil), de Humaitá: R$ 1.004.794,16

15 – Adaildo Melo (União Brasil), de Guajará: R$ 862.889,38

16 – Lúcio Flávio (PSD), de Manicoré: R$ 854.179,55

17 – Frank Barros (MDB), de Boca do Acre: R$ 845.297,54

18 – Emerson Mello (Podemos), de Beruri: R$ 830.000,00

19 – Renato Afonso (PSD), de Pauini: R$ 750.000,00

20 – Zé Roberto (União Brasil), de Canutama: R$ 682.000,00

21 – Marina Pandolfo (União Brasil), de Nhamundá: R$ 655.001,00

22 – Gamaliel Andrade (União Brasil), de Tapauá: R$ 588.000,00

23 – Airton Siqueira (MDB), de Carauari: R$ 581.181,84

24 – Paula Augusta (PSDB), de Ipixuna: R$ 580.000,00

25 – Otávio Farias (União Brasil), de Novo Airão: R$ 580.000,00

26 – Lucenildo Macedo (União Brasil), de Alvarães: R$ 562.000,00

27 – Jander Barreto (União Brasil), de São Sebastião do Uatumã: R$ 510.000,00

28 – Thomé Neto (PP), de Autazes: R$ 500.000,00

29 – Katia Dantas (MDB), de Anamã: R$ 490.706,00

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30 – João Campelo (MDB), de Itamarati: R$ 480.000,00

31 – Professora Áurea (MDB), de Eirunepé: R$ 476.569,56

32 – Régis Nazaré (Republicanos), de Anori: R$ 430.000,00

33 – Ivon Rates (PSD), de Envira: R$ 421.000,00

34 – Ilque Cunha (MDB), de Juruá: R$ 359.000,00

35 – Gerlando Lopes (PL), de Lábrea: R$ 345.084,00

36 – Matulinho Braz (União Brasil), de Caapiranga: R$ 330.000,00

37 – Mara Alves (Republicanos), do Careiro: R$ 330.000,00

38 – Pastor Edir (União Brasil), de Maraã: R$ 310.000,00

39 – Professor Vanilso (União Brasil), de Japurá: R$ 309.000,00

40 – Marquinhos Macil (MDB), de Apuí: R$ 300.000,00

41 – Semeide Bermeguy (MDB), de Benjamin Constant: R$ 300.000,00

42 – Raiz Sobrinho (União Brasil), de Novo Aripuanã: R$ 300.000,00

43 – Professora Socorro Nogueira (União Brasil), de Rio Preto da Eva: R$ 300.000,00

44 – Leôncio Tundis (PT), de Urucurituba: R$ 255.000,00

45 – Professor Paulino Grana (Republicanos), de Silves: R$ 250.000,00

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46 – Mário Abrahim (Republicanos), de Itacoatiara: R$ 230.000,00

47 – Fernando Vieira (PL), de Presidente Figueiredo: R$ 200.000,00

48 – Nelson Nilo (MDB), de Manaquiri: R$ 193.000,00

49 – Denis Paiva (União Brasil) , de Atalaia do Norte: R$ 150.000,00

50 – Nicson Marreira (União Brasil), de Tefé: R$ 118.000,00

51 – Professora Araci (MDB), de Nova Olinda do Norte: R$ 113.000,00

52 – Valcileia Maciel (MDB), de Manacapuru: R$ 88.893,29

53 – Radinho Alves (União Brasil), de Barcelos: R$ 60.000,00

54 – Thiago Lima (MDB), de Itapiranga: R$ 58.846,00

55 – Plinio Cruz (Republicanos), de Tabatinga: R$ 40.000,00

56 – Jarlem CB (PSD), de Boa Vista do Ramos: R$ 32.000,00

57 – Mercedes Vargas (União Brasil), de Jutaí: R$ 1.000,00

58 – Adail Pinheiro (Republicanos), de Coari: sem bens a declarar

59 – Macelly Veras (PDT), de Maués: sem bens a declarar

60 – José Beleza (União Brasil), de Santa Isabel do Rio Negro: sem bens a declarar

61 – Egmar Curubinha (PT), de São Gabriel da Cachoeira: sem bens a declarar

62 – Marcos Martins (União Brasil), de Uarini: sem bens a declarar

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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