Conselho de Segurança da ONU discute ataque dos EUA à Venezuela e captura de Nicolás Maduro
A reunião também foi marcada por manifestações de preocupação da cúpula da ONU.
- Foto: Redes Sociais
Notícias do Mundo – O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou, nesta segunda-feira (5), uma reunião de emergência para discutir a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, no último sábado (3).
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Durante a sessão, o embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, condenou duramente a ação norte-americana, classificando-a como uma operação militar ilegítima e uma violação direta da soberania venezuelana. Segundo ele, o episódio representa um “sequestro do presidente constitucional da República” e afronta princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas.
“A República Bolivariana da Venezuela foi alvo de uma operação militar e ilegítima dos Estados Unidos da América, inclusive com o sequestro do presidente constitucional da República, o senhor Nicolás Maduro, e da primeira-dama, Cilia Flores”, afirmou Moncada. O diplomata acrescentou que houve “flagrante violação da Carta da ONU”, especialmente no que se refere à proibição do uso da força contra a integridade territorial e a independência política de um Estado soberano.
Em resposta, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, negou que o país esteja promovendo uma ocupação militar na Venezuela. Segundo ele, a ação deve ser entendida como uma operação policial internacional voltada ao combate ao crime organizado. “Não há uma guerra contra a Venezuela ou seu povo. Não estamos ocupando um país. Trata-se de uma operação das forças policiais”, declarou.
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Waltz afirmou ainda que Nicolás Maduro é apontado pelos Estados Unidos como líder do Cartel de los Soles, organização recentemente classificada por Washington como grupo terrorista internacional. De acordo com o embaixador, o presidente venezuelano teria envolvimento direto no tráfico internacional de drogas e ligação com organizações consideradas terroristas, como o Hezbollah, além de autoridades iranianas e outros atores classificados como hostis aos interesses americanos.
A reunião também foi marcada por manifestações de preocupação da cúpula da ONU. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou estar alarmado com a intensificação militar na Venezuela e com os possíveis impactos regionais e globais da operação. Em mensagem lida pela chefe de assuntos políticos da ONU, Rosemary DiCarlo, Guterres alertou para o risco de aumento da instabilidade no país e para o precedente que a ação pode abrir nas relações internacionais.
“Estou extremamente preocupado com a possível intensificação da instabilidade na Venezuela, o impacto potencial na região e o precedente que isso pode estabelecer sobre como as relações entre os Estados são conduzidas”, destacou o secretário-geral.
O pedido de reunião emergencial foi apresentado pela Colômbia, governada por Gustavo Petro, que mantém divergências diplomáticas recentes com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O Brasil participa da sessão como país convidado, sem direito a voto, e é representado pelo embaixador Sérgio Danese. Segundo o Itamaraty, o governo brasileiro não pretende alterar sua posição crítica em relação à ação norte-americana contra a Venezuela.
A discussão no Conselho de Segurança ocorre em meio à repercussão internacional da captura de Maduro, à escalada de tensões diplomáticas e às incertezas sobre os próximos passos políticos e militares na região.
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