Mais de 20 ministros devem deixar o governo Lula para disputar eleições em 2026
Mudanças seguem o calendário da legislação eleitoral, que determina a desincompatibilização de agentes públicos até seis meses antes do pleito.
- Foto: PR
Notícias do Brasil – Com a aproximação das eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve promover uma ampla reformulação no primeiro escalão do governo federal. A expectativa no Palácio do Planalto é que mais de 20 ministros deixem seus cargos até abril para disputar vagas nos governos estaduais, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
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As mudanças seguem o calendário da legislação eleitoral, que determina a desincompatibilização de agentes públicos até seis meses antes do pleito. Para as eleições de 2026, o prazo final para saída dos cargos termina em 4 de abril. Na maioria dos casos, as pastas devem passar a ser comandadas interinamente pelos secretários-executivos.
O movimento faz parte da estratégia do governo para fortalecer a base política de Lula, principalmente no Congresso Nacional. O Planalto avalia que ampliar a presença de aliados no Senado e na Câmara é essencial para garantir governabilidade em um cenário ainda considerado desfavorável à esquerda.
Durante a última reunião ministerial de 2025, realizada em dezembro, Lula orientou os auxiliares que pretendem disputar as eleições a se dedicarem integralmente às campanhas, afirmando que é preciso “ganhar o cargo que vão disputar”.
Disputas nos estados e no Senado
Entre os ministros que devem concorrer a cargos no Executivo estadual está Renan Filho (MDB-AL), titular dos Transportes, que já decidiu disputar a reeleição ao governo de Alagoas.
No Senado, onde 54 das 81 cadeiras estarão em disputa em 2026, o governo aposta em nomes de peso. O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT-BA), deve disputar uma vaga pela Bahia. Também avaliam concorrer ao Senado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), de Portos e Aeroportos, e Waldez Góes (PDT-AP), da Integração e do Desenvolvimento Regional.
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Simone Tebet (MDB-MS), ministra do Planejamento, é cotada para disputar o Senado por São Paulo ou o governo paulista, enquanto Marina Silva, do Meio Ambiente, também é sondada para a Casa Alta pelo estado, ainda sem definição partidária. Já Carlos Fávaro (PSD-MT) e Alexandre Silveira (PSD-MG) devem tentar a reeleição ao Senado por seus estados.
Na disputa por vagas na Câmara, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), já confirmou que buscará a reeleição. Outros ministros que devem concorrer a um mandato de deputado federal são André de Paula (Pesca), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Wolney Queiroz (Previdência), Jader Filho (Cidades), Anielle Franco (Igualdade Racial), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas).
No PT, também há expectativa de que a ministra da Cultura, Margareth Menezes, se filie ao partido para disputar uma vaga pela Bahia, hipótese que conta com apoio do presidente.
Saídas sem disputa eleitoral e incertezas
Além dos ministros que devem concorrer em 2026, algumas saídas estão previstas sem relação direta com as eleições. É o caso do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, que deve deixar o cargo para coordenar o marketing da campanha de reeleição de Lula.
A primeira baixa confirmada em 2026 foi a do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, que deixou o cargo alegando motivos pessoais.
Ainda há incertezas envolvendo nomes centrais do governo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é pressionado pelo PT a disputar o governo de São Paulo ou o Senado, embora resista à ideia. Situação semelhante vive o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), cotado para concorrer em São Paulo. No Ceará, Camilo Santana (Educação) avalia retornar ao Senado ou disputar novamente o governo estadual. Já André Fufuca (Esporte) estuda concorrer ao governo do Maranhão ou ao Senado.
Com o prazo de desincompatibilização se aproximando, o governo Lula deve enfrentar um dos maiores rearranjos ministeriais desde o início do mandato, em meio à preparação para uma disputa eleitoral decisiva em 2026.
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