Irã ameaça atacar bases militares dos Estados Unidos e Israel após declarações de Donald Trump
Especialistas da organização de cibersegurança Netblocks informaram que o país vive um apagão quase total de internet há cerca de 48 horas.

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Neste domingo, 11 de janeiro de 2026, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que o Irã responderá de forma agressiva a qualquer intervenção militar dos Estados Unidos no país. A ameaça, que inclui como alvos bases militares e centros de navegação norte-americanos, surge em um momento de escalada de tensão interna, com protestos populares que já deixaram pelo menos 192 mortos e enfrentam um cerco das forças de segurança do regime.
- Mohammad Bagher Ghalibaf afirmou que territórios ocupados e bases militares dos EUA são “alvos legítimos”.
- A ONG Iran Human Rights confirmou a morte de pelo menos 192 manifestantes desde o início dos atos.
- O regime impôs um apagão de internet de 48 horas para conter a organização das manifestações e a divulgação de informações.
Ameaça de retaliação militar e alvos estratégicos
Durante sessão parlamentar realizada neste domingo (11/1), Mohammad Bagher Ghalibaf alertou que uma eventual ofensiva militar liderada por Washington transformaria instalações americanas e o território de Israel em alvos imediatos. Segundo o líder do Parlamento, a medida seria uma resposta direta a qualquer tentativa de ingerência externa na soberania do país.
A reação do governo iraniano ocorre um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar no sábado (10/1) que o país está “pronto para ajudar” os manifestantes iranianos. O apoio internacional aos atos é visto por Teerã como uma interferência direta, com autoridades locais acusando os EUA e Israel de fomentarem o movimento de oposição.
Repressão e balanço de mortes nos protestos iranianos
De acordo com dados atualizados pela ONG Iran Human Rights, com sede em Oslo, a onda de repressão policial resultou em pelo menos 192 mortes até o momento. A entidade afirma que os números foram confirmados por meio de fontes diretas no Irã e verificados com veículos de imprensa independentes, destacando que a violência das forças de segurança se intensificou nos últimos dias.
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Os protestos, que tiveram início em 28 de dezembro de 2025 motivados pela alta da inflação, rapidamente evoluíram para demandas políticas pelo fim do regime teocrático. A Guarda Revolucionária, tropa de elite do Irã, classificou os manifestantes como “terroristas” e reiterou que a segurança dos prédios públicos é uma “linha vermelha” que não deve ser ultrapassada.
Bloqueio de internet e cenário de incerteza
Especialistas da organização de cibersegurança Netblocks informaram que o país vive um apagão quase total de internet há cerca de 48 horas. Essa restrição imposta pelo regime dificulta a comunicação entre os grupos de oposição e impede a verificação independente do número real de vítimas e da escala das manifestações em tempo real.
Apesar das restrições, vídeos divulgados pela Organização Mujahideen do Povo (MEK) mostram centenas de pessoas reunidas na praça Heravi, em Teerã. Enquanto isso, a mídia estatal iraniana relata ataques contra o patrimônio público, como o incêndio em um prédio municipal em Karaj, e exibe funerais de membros das forças de segurança mortos em confrontos nas cidades de Shiraz, Qom e Hamedan.
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