Há exatos 5 anos, Manaus enfrentava crise do oxigênio durante a segunda onda da pandemia
Explosão de casos provocou colapso de estoques, levou à transferência emergencial de pacientes e marcou o ponto mais dramático da pandemia no Brasil.
- Foto: Junio Matos/A Crítica
Resumo
Manaus relembra cinco anos do colapso do oxigênio durante a segunda onda da Covid-19. Demanda explodiu, hospitais ficaram sem cilindros e pacientes foram transferidos para outros estados.
Notícias de Manaus – Manaus chegou ao dia 14 de janeiro de 2021 vivendo um cenário que ficará para sempre registrado na memória do país. Naquele momento, em meio à segunda onda da pandemia de Covid-19, hospitais da capital enfrentaram falta de oxigênio medicinal, insumo vital para tratar pacientes com insuficiência respiratória.
Cinco anos depois, Manaus relembra aquele janeiro como o ponto crítico da pandemia.
O número de internações cresceu em ritmo acelerado e pressionou o sistema hospitalar como nunca antes. Imagens de unidades superlotadas, corredores cheios e familiares em busca de cilindros tomaram as redes sociais e chamaram atenção do mundo.
Segundo a Fundação de Vigilância em Saúde, o Amazonas registrou em 2021 232.218 casos confirmados, com 64.128 só em janeiro. Até março daquele ano, Manaus contabilizaria 4.430 mortes por Covid-19, período em que a cidade enfrentou sua maior sobrecarga hospitalar desde o início da pandemia.
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Demanda explodiu e superou rapidamente a capacidade local
No início daquele mês, a cidade assistiu a um avanço agressivo de casos graves, impulsionado por variantes mais transmissíveis do coronavírus. A procura por oxigênio disparou.
Em períodos sem pico, o consumo hospitalar variava entre 15 e 17 mil m³ diários. No auge da onda, no dia 14 de janeiro, o número saltou para 76,5 mil m³ em apenas 24 horas.
Manaus registra uma crise no abastecimento de oxigênio e a situação é grave. Profissionais estão usando as redes sociais para pedir socorro enquanto alguns pacientes estão sendo levados para outros estados em busca de atendimento. Oxigênio Para Manaus
pic.twitter.com/tTXy7114Ps— CAPRICHO (@CAPRICHO) January 14, 2021
A produção disponível no estado vinha de três empresas — White Martins, Carbox e Nitron — que somavam 28,2 mil m³ por dia.
O déficit chegou a 48,3 mil m³, tornando impossível atender simultaneamente todos os pacientes que dependiam do insumo.
Hospitais começaram a relatar que seus tanques estavam no limite, ambulâncias passaram a circular com cilindros para abastecer unidades e profissionais de saúde buscavam alternativas emergenciais para garantir assistência.
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Para los que no creen en el virus. Así llega el oxígeno a Manaos en Brasil. pic.twitter.com/iUmxNF57pi
— Agustin Genovese (@agustingenovese) January 15, 2021
Hospitais lotados
Com os estoques esgotando e a taxa de internação crescendo, unidades de saúde atingiram sua capacidade. O Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do Alvorada precisou fechar temporariamente.
Internos eram atendidos na medida do possível com os recursos ainda existentes, enquanto equipes monitoravam minuto a minuto a chegada de oxigênio para redistribuição entre hospitais.
A pressão ultrapassou limites logísticos e levou o estado a pedir auxílio imediato do Ministério da Saúde e de outras unidades federativas.
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Transferências emergenciais em larga escala
Com o cenário se deteriorando rapidamente, iniciou-se uma operação sem precedentes: mais de 500 pacientes foram levados para hospitais em outros estados em transporte aéreo.
Leia mais: Amazonas transfere 21 pacientes para os estados do Maranhão e Piauí por falta de oxigênio
A Força Aérea Brasileira atuou em voos de transferência, assim como aeronaves contratadas civis, para reduzir a lotação das UTIs de Manaus e permitir que pacientes críticos continuassem tratamento.
As imagens das transferências — macas embarcando em aviões, profissionais com EPI e filas de ambulâncias em pistas — se tornaram símbolo da resposta emergencial adotada naquele período.
Evento que virou marco da pandemia
Para profissionais e pesquisadores de saúde pública, o episódio marcou a importância de planejamento e monitoramento contínuo das curvas de contágio, principalmente em regiões geograficamente isoladas.
Também serviu como ponto de virada para a estrutura hospitalar local, que passou a ser reforçada nas semanas seguintes com instalação emergencial de usinas de oxigênio e ampliação de leitos.
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Medidas adotadas após o colapso
Em nota recente, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) afirmou que, desde o episódio, foram implementadas ações estruturais duradouras. Entre elas:
*ampliação da rede hospitalar em Manaus e no interior
*descentralização do atendimento de urgência
*implantação e expansão de usinas de oxigênio em unidades estratégicas
*compra de equipamentos e reforço tecnológico
*adoção de protocolos para agilizar respostas em emergências sanitárias
A pasta destaca que as iniciativas buscam garantir maior resiliência do sistema público diante de futuras epidemias ou crises respiratórias sazonais.
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